segunda-feira, 30 de maio de 2011

Estudo na carta de Paulo aos Efésios capitulo 3. 1-13


Estudo na carta de Paulo aos Efésios capitulo 3. 1-13.
Neste ponto, Paulo se apresenta e explica o seu papel pessoal e único no propósito de Deus para com os gentios. Não é sem razão que veio a ser conhecido como “o apostolo aos gentios”.
Na segunda parte de Efésios 2, conforme vimos no capitulo anterior, ele pintou um contraste vivido entre a dupla alienação que os gentios padeciam diante de Cristo (alienação de Deus e alienação de Israel) e sua dupla reconciliação através de Cristo.
Mas, abruptamente, ele desvia o ponto de atenção, antes centralizada neles, para fixá-lo em si mesmo. Eu, o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós, gentios (v. 1). Humanamente falando, não era o prisioneiro de Cristo, mas, sim, de Nero. Paulo, porem, nunca pensava nem falava em termos puramente humanos. Acreditava na soberania de Deus sobre os assuntos dos homens. Assim, chamava-se (literalmente) o prisioneiro de Cristo Jesus, ou o prisioneiro do Senhor.
A prisão de Paulo, que teria contribuído para confirmar seu apostolado, foi indubitavelmente uma de suas adversidades desfavoráveis. Suas cadeias comprovaram e realçaram sua vocação. Porque a única razão que ocasionou sua prisão foi a proclamação do evangelho feita por ele aos gentios. Sua inabalável firmeza não foi uma pequena prova adicional de que se desincumbira de seu oficio com integridade.
1. A revelação divina a Paulo, ou o mistério que lhe foi dado a conhecer (Vs. 1-6)
Três vezes neste curto parágrafo Paulo emprega a palavra “mistério”: segundo uma revelação me foi dado a conhecer o mistério (v. 3) ...podeis compreender o meu discernimento no mistério de Cristo (v. 4) ...e manifestar qual seja a dispensação do mistério (v. 9). é uma palavra-chave para a nossa compreensão do pensamento de Paulo. Devemos reconhecer que as palavras em português e em grego não significam a mesma coisa. Em português um “mistério” é algo obscuro, oculto, secreto, enigmático. O que é “misterioso” é inexplicável, até mesmo incompreensível. A palavra grega mystérion é diferente, no entanto. Embora continue sendo um “segredo”, já não está cuidadosamente guardado, mas, sim, revelado. Originalmente a palavra grega se referia a uma verdade em que alguém tinha sido iniciado. No Cristianismo, no entanto, não há “mistério” esotéricos reservados para uma elite espiritual. Mais simplesmente, mystérion é uma verdade que esteve oculta ao conhecimento humano, mas que atualmente está desvendada pela revelação de Deus.
Resumindo, podemos dizer que o mistério é a união completa entre judeus e gregos, através da      união de ambos com Cristo. É esta dupla união, com Cristo e entre eles, que era a substancia do mistério. Deus o revela especialmente a Paulo, conforme este escreve resumidamente (v. 3) no capitulo anterior. Mas também fora revelado aos seus (de Deus) santos apóstolos e profetas, no Espírito (. 5) e, através destes, “aos seus santos” (Cl 1: 26). Agora era, portanto, a possessão comum da igreja universal.
Era uma nova revelação. Porque em outras gerações não foi dado a conhecer aos filhos dos homens (V. 5), mas, sim, estava desde os séculos oculto (v. 9). Estas declarações tem sido um enigma para os leitores da Bíblia, porque o Antigo Testamento já revelara que Deus tinha um propósito para os gentios.
Mais o que nem o Antigo Testamento nem Jesus revelaram foi a natureza radical do plano de Deus, ou seja, que a teocracia ( a nação judaica sob o governo de Deus) terminaria e seria substituída por uma nova comunidade inter-racial, a igreja e que esta igreja seria o corpo de Cristo, organicamente unido a ele.
2. A comissão divina a Paulo ou ministério que lhe foi confiado (v. 7-12)
No fim do versículo 6, Paulo virtualmente equiparou o mistério com o evangelho. Pelo menos escreve que é por meio do evangelho que os cristãos judeus e gentios são unidos a Cristo. Isto acontece somente porque o evangelho anuncia o mistério, de modo que as pessoas o ouçam, creiam nele e venham a ter experiência dele.
Paulo considera que esta comissão ou ministério é um privilégio enorme. Porque aquilo que chama de esta graça, que poderíamos chamar de “este dom privilegiado de Deus”, lhe fora dado, a despeito do fato de ser o menor de todos os santos (v. 8), ou “o membro mais vil do povo santo”. É uma expressão muito marcante. Toma o superlativo (elachistos, “ínfimo” ou “mínimo”) e faz o que é impossível na lingüística mas que  é possível na teologia; transforma-o em comparativo (elachisteros ,”mais mínimo” ou “menor do que o mínimo”). Talvez estivesse deliberadamente jogando com o significado do seu nome. Seu sobre nome romano, “Paulus”, significa “pequeno”, e a tradição diz que era um homem pequeno. Paulo sabia combinar a humildade pessoal com a autoridade apostólica. Na verdade, ao “minimizar a si mesmo, engrandecia o seu oficio”.
O ministério privilegiado de divulgar o evangelho. Confiado a ele pela graça de Deus,     é o que ele passa a desenvolver em três etapas:
a.    Pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo (v. 8)
Podemos julgar quais são estas riquezas pela exposição de Paulo em Efésios 1 e 2. São riquezas livremente disponíveis por causa da cruz. Incluem a ressurreição da morte no pecado, a entronização vitoriosa com Cristo nos lugares celestiais, a reconciliação com Deus, a incorporação com os crentes judeus na nova sociedade de Deus, o fim da hostilidade e o começo da paz, o acesso ao pai mediante Cristo e pelo Espírito, o ingresso no reino e na família de Deus, sendo parte integrante da sua moradia entre os        homens; tudo isso representando apenas um vislumbre de riquezas futuras, das riquezas da glória da herança que Deus dará a todo o seu povo no ultimo dia. Paulo indica dois dos incentivos mais fortes a evangelização. Começa enfatizando que a revelação e a comissão que lhe foram dadas permanecem indissoluvelmente juntas, pois o que foi revelado deve sem falta tornar-se conhecido de outros. A verdade revelada lhe foi comissionada. Uma vez que tenhamos a certeza de que o evangelho é tanto a verdade da parte de Deus quanto riquezas 
para a humanidade, ninguém conseguira silenciar-nos .
Continua na próxima postagem!

Um comentário:

  1. gostaria de ler a continuação deste estudo, foi publicado?

    Vinicius.

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