domingo, 25 de dezembro de 2011

SONHAR É PRECISO!

PASTORAL: SONHAR É PRECISO!
Eu tive um sonho, um sonho desses que outros já sonharam e que parece não morrer nunca. Sonhei que a igreja evangélica desse pais era menos egoísta e mais solidária, que havia engajamento com as questões sociais e que os nossos templos ociosos eram mais utilizados na semana na realização de projetos comunitários que visam resgatar a cidadania, promover inclusão social e combater as diversas formas de injustiça. Sonhei que havia mais unidade e mais simplicidade entre os irmãos. Sonhei que os irmãos não deixavam de ir aos cultos e nem inventavam mentiras para fugirem do compromisso com a igreja. Sonhei que o modelo de relacionamento comunitário da Trindade servia de modelo para igrejas, pastores, lideres, membros e congregados. Como conseqüência havia menos personalismo, menos preocupação com o caráter, mais humildade e menos vaidade, mais espiritualidade e menos ativismo religioso. Sonhei que o marketing e a publicidade davam lugar à oração e ao evangelismo pessoal, e que missões deixavam de ser um tipo de status quo para ser simplesmente um compromisso de quem ama o Reino de Deus. Sonhei que desistíamos todos de submeter à igreja as leis de mercado por crermos simplesmente na eficácia do evangelho como suficiência de Deus no alcance e transformação regeneradora dos pecadores moribundos. Sonhei que na igreja evangélica brasileira já não havia lugar para quem tenta massificar a fé, mercadejando o evangelho a preços promocionais inescrupulosos, ao mesmo tempo em que lucra com a valorização das “ações” do competitivo mercado religioso. Sonhei com o retorno da igreja as Escrituras numa caminhada gloriosa de redescoberta da espiritualidade bíblica, da missão integral, do relacionamento intimo com Deus, da sua vocação sublime, da ética e do testemunho de quem vive como sal da terra e luz do mundo. Sonhei que nesse contexto de despertamento espiritual a PRESBITERIANA redescobria suas origens doutrinárias reformada, sua experiência missionária, e seu fervor espiritual em proclamar SOLA SCRIPTURA. Sonhei que continuávamos construindo templos sem, no entanto, perdermos de vista que a prioridade da igreja é missões. Sonhei que as nossas ofertas de missões deixavam de ser esmolas para ser um privilegio de contribuir com a obra missionária. Sonhei que os pastores apascentavam-se mutuamente, que havia humildade entre todos e que nos tornávamos ensináveis, corrigíveis e conscientes das nossas fraquezas e pecados. Sonhei que as nossas igrejas eram mais cooperativas e menos competitivas, servindo com dedicação e santidade. Sonhei ainda que era possível canalizar nossas energias, recursos e talentos para fortalecer a missão em vez dos nossos pequenos guetos religiosos e espaços de poder. Sonhei que havia menos centralização e as tarefas eram divididas com alegria entre os mais Capacitados para realização destas. Depois de sonhar com tudo isso, me dei conta de que na realidade não estava dormindo, eu estava bem acordado, como bem acordado precisamos estar, a fim de que possamos construir uma nova página na nossa história de igreja que clorifique a Deus. Que o Senhor provoque um inconformismo profundo nos nossos corações no anseio de vivenciarmos um novo tempo, uma nova realidade. Pr. João Batista de Lima.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"PASTOR"? CELEBRA NO CEARÁ CASAMENTO DE CACHORROS.

"PASTOR"?? CELEBRA E FAZ CASAMENTO DE CACHORROS!(SERÁ QUE CHEGAMOS AO FIM E NINGUÉM ME AVISOU??)
AÍ..JÁ E DEMAIS,NÉ???SINCERAMENTE,ACHO QUE MORRI,FUI PARA ALGUM LUGAR E NÃO ME AVISARAM..OU O FIM DO MUNDO JÁ COMEÇOU E TAMBÉM,NÃO PERCEBI,OU NÃO ME AVISARAM...RESPONDAM-ME,AMADOS LEITORES ESTOU VIVO?ESTAMOS??AONDE ESTAMOS???QUÊ ISSO??
Renato Suhett,servo de Cristo,Anglicano Reformado
O BLOG Noticias Cristãs publicou uma notícia absurdamente ensandecida. Segundo o BLOG um pastor da IURD, teria no final de semana passado celebrado o casamento de um casal de cachorros. Veja a nota publicada abaixo:
"Só faltava acontecer isso em Massapê. Alí acontece de tudo, se não vejamos: Já houve assalto em um Posto de Gasolina e os bandidos fugiram num jumento. Outro dia dois bandidos assaltaram novamente um outro Posto de Gasolina usando um "gogó de garrafa" como arma do crime. Mas quando se imagina que nada mais fosse acontecer, surge uma história muita inusitada, de que um Pastor Evangélico, da Igreja Universal do Reino de Deus, que fica situado no centro de Massapê, teria no final de semana passado, feito o casamento de um Casal de Cachorros.

A informação é que o casal de animais estava vestidos a rigor. A notícia explodiu na cidade de Massapê como uma bomba. As Rádios da cidade não perdoaram o Pastor. E virou comédia. O povo ligando para as Rádios, oferecendo casal de jumentos, gatos para que seja feito também o casamento."

Caro leitor, me recuso a acreditar que isso seja verdade. Não é possível que o neopentecostalismo da IURD tenha chegado a tal nível. Sinceramente, rogo a Deus para que isso não passe de uma bravata, porque caso contrário definitivamente a vaca, digo, o cachorro foi pro brejo.
Completamente escandalizado!

Fonte: Renato Vargens http://www.bisporenatosuhett.com

domingo, 11 de dezembro de 2011

Deus não é Obrigado a ter Misericórdia de Ninguém

Deus não é Obrigado a ter Misericórdia de Ninguém
O privilégio que pertence aos filhos de Deus é que eles foram regenerados, nascidos de novo pelo Espírito Santo, através da Palavra de Deus. "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade" (1 Ped. 1:23). Recebemos muitas bênçãos depois de nascermos de novo. Todas essas bênçãos vêm através da absoluta e graciosa vontade de Deus. Deus não está obrigado a nos abençoar. Ele pode fazer como quiser. Ele pode decidir não nos abençoar de modo algum. Tudo que podemos reivindicar de Deus é justiça, o que significa que Deus deve nos punir pelos nossos pecados.
Estamos nas mãos de Deus, esperando saber o que Ele vai fazer. Se Deus assim desejar, Ele pode salvar toda a humanidade. Ou se Ele quiser, Ele pode decidir não salvar ninguém. Se Deus desejar, Ele pode, na Sua misericórdia, salvar um homem e deixar outro para sofrer a punição pelo seu pecado. Não há injustiça alguma da parte de Deus se Ele assim fizer. É direito soberano de Deus fazer o que Lhe aprouver. Deus diz na Bíblia: "... compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia" (Rom. 9:15-16).
Alguns ficam muito zangados com este ensinamento. A ira deles não muda o fato de que a verdade da soberania de Deus mantém-se firme como uma rocha. Deus não tem que explicar ao homem o que Ele faz. Ele faz o que quer, nos céus e na terra.
A doutrina da soberania de Deus traz grande alegria aos que crêem nEle. Nós nos regozijamos no amor de Deus que nos escolheu para sermos Seus filhos. Deus deixa as pessoas que Ele não escolheu seguirem seus próprios caminhos e perecerem no final. Ele teve misericórdia de nós porque assim o quis, mesmo antes de nós começarmos a orar e procurá-lO. Este propósito eletivo de Deus é precioso. No mundo precisamos pleitear, até com pessoas ricas, antes que elas nos dêem alguma coisa. Não tivemos que implorar a Deus. Todas as coisas preciosas que Ele nos deu, foi "segundo a sua vontade". Deus Se apraz na misericórdia, em dar livremente. O nome de Deus é amor e a natureza de Deus é amor. É natural ao sol enviar luz. É coisa natural Deus enviar a luz de Sua eterna graça.
Louvemos ao Senhor que nos amou quando estávamos mortos em nossas transgressões e pecados. Glorifiquemo-lO pela Sua misericórdia livremente demonstrada a nós. Não merecíamos a misericórdia de Deus. Freqüentemente desprezamos essa misericórdia. Alguns de nós resistimos a misericórdia de Deus por longo tempo. Curvemo-nos então humildemente diante do trono de Deus. Vamos agradecer-Lhe pelas Suas misericórdias que duram para sempre. Quão maravilhoso é que, devido Deus assim o desejar, Ele teve compaixão de nós. O grande privilégio que Deus nos concedeu é que, através do poder divino do Espírito Santo, já nascemos de novo.
Nosso primeiro nascimento foi natural. Deus nos fez e nossos corpos são Sua maravilhosa criação. Nosso segundo nascimento foi espiritual. Nascemos de novo, regenerados pelo poder divino do Espírito Santo. Nosso segundo nascimento é uma obra de Deus, tão grande quanto o nosso primeiro nascimento, nossa criação natural. "Segundo a sua vontade" Deus nos deu uma nova vida, e nos fez novas criaturas. Acaso temos a certeza de que nascemos de novo? Sabemos que somos novas criaturas em Cristo?Talvez às vezes tenhamos dúvidas se somos nascidos de novo. Mas o homem que nasceu de novo sabe que há uma mudança nele. Há vezes quando até aquelas pessoas que duvidam da sua salvação têm certeza que passaram da morte para a vida. Sonde seu próprio coração. Deixe que esta oração venha de seus lábios e coração: "Sonda-me, ó Deus, e prova-me". Devo advertir-lhes que se nada mais têm do que a natureza pode lhes dar, vocês perecerão. Viver uma vida boa e bem comportada não lhes dará uma entrada para o reino de Deus. "Necessário vos é nascer de novo" (João 3:7). Estas palavras estão no portão do céu. Até mesmo as pessoas mais destacadas na Igreja e na nação devem nascer de novo, para serem admitidas no céu. Não importa se vocês viveram uma boa vida ou se desobedeceram abertamente a lei de Deus — precisam nascer de novo. O Espírito Santo deve operar esta transformação sobrenatural em vocês. Esta mudança é o resultado do eterno propósito, poder e amor de Deus.
Aqueles que têm parte deste precioso privilégio são felizes. Embora estivessem mortos em transgressões e em pecado, agora eles estão vivos. Embora fossem carnais e terrenos, agora são espirituais. Eles estavam distanciados, mas agora foram trazidos para perto de Deus. Todos estes privilégios são exclusivamente devidos à soberana vontade de Deus. Se vocês nasceram de novo, agradeçam a Deus de todo o coração e humilhem-se diante dEle.
A maneira que esta mudança foi operada em nossos corações é claramente expressa: "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade" (Tiago 1:18). Homens são geralmente salvos ao ouvirem o evangelho pregado. Alguns afirmam que a pregação da verdade é eficaz para salvar o homem. Isto não é totalmente verdadeiro. A verdade de Deus pode ser fielmente pregada e ninguém ser convertido. Outros dizem que o Espírito de Deus regenera as pessoas sem se utilizar da Palavra de Deus. Isto também não pode ser verdadeiro. A Bíblia nunca diz que o homem pode ser salvo sem a Palavra de Deus. A Palavra e o Espírito sempre operam juntos. A Bíblia diz: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes..." (Heb. 4:12). As Escrituras ensinam claramente que o Espírito de Deus opera através da Palavra de Deus. A Palavra não opera sem o Espírito. "Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mar. 10:9). Amigo, você foi salvo pela leitura da Palavra de Deus? A Palavra de Deus é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.
O que é esta Palavra de Deus que traz vida nova à pessoa? A palavra é a pregação da doutrina da cruz. Ninguém jamais nasceu de novo através da pregação da lei. A lei pode tornar um homem mais humilde. A lei pode quebrantar e ferir o homem. Ela poderá mostrar-lhe a punição que receberá como pecador. Contudo, a lei jamais lhe trará vida nova. A Bíblia diz: "... Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados" (II Cor. 5:19). Algumas pessoas removem o sacrifício de Cristo do evangelho. Elas condenam o texto: "... o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (I João 1:7). Não deixam nada de evangelho. A palavra "sangue" é uma das mais solenes e importantes palavras em todas as Escrituras. As pessoas não serão salvas se esta doutrina não for pregada.

Se a pregação do evangelho trouxe salvação a você, então pregue-o aos outros. Fale a cada um do fato que Cristo morreu pelos pecadores. Afirme em todo lugar que qualquer um que crer no Senhor Jesus Cristo terá vida eterna. Diga às pessoas que Jesus Cristo foi o substituto dos culpados. Diga-lhes que Ele sofreu pelos pecadores; que a espada da justiça abateu o Pastor para que as ovelhas pudessem ser livres. Declare aos seus ouvintes como o Redentor sofreu a ira de Seu Pai para que os filhos dEle jamais tenham que enfrentar a Sua ira.
Nós crentes em Jesus devemos olhar para trás com gratidão e esperança pelo que Deus fez. "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade".
Charles Haddon Spurgeon

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

10 Lições sobre o AMOR á Igreja

Paulo nos ensina, em 1 Tessalonicenses 3, dez importantes lições sobre como podemos expressar nosso amor ao povo de Deus:
1.Devemos amar nossos irmãos em Cristo. Temos de amar a igreja de nosso Senhor, a qual ele comprou com o seu sangue (Atos 20.28).
2.Devemos nos preocupar com o estado da fé da igreja. Nosso amor pela igreja passa direto pela condição de sua fé.
3.Devemos agir em favor da igreja. Paulo mandou Timóteo para lá. Diante de uma situação grave, Paulo fez sacrifícios pessoais que o privaram de seu principal ajudador para apoiar o povo de Deus em Tessalônica.
4.Devemos usar nossas próprias experiências de sofrimento, lutas e até mesmo nosso lidar com o pecado como um meio para encorajar e fortalecer nossos irmãos que passam pelos mesmos problemas. Podemos ter a tendência de ser duros com quem está fraco na fé ou esmorece, mas nossa fé é dádiva de Deus e deve ser um instrumento para ganhar nossos irmãos. Que, como Paulo, nos identifiquemos com nossos irmãos em sua fraqueza e compartilhemos com eles o que temos recebido graciosamente de Deus.
5.Devemos viver e andar por fé. Nossa conduta deve ser determinada por princípios, não por circunstâncias. Não devemos responder aos problemas e aflições da vida segundo o calor do momento, mas tendo a eternidade diante de nós.
6.Devemos nos alegrar com o progresso da fé do povo de Deus. As vitórias e graça que Deus concede ao seu povo deve ser sempre motivo de regozijo e felicidade para nós. Temos de ter prazer nessas coisas, e isso só é possível se nosso coração e alegria estiverem no Senhor (Sl 37.4).
7.Devemos orar fervorosamente em favor do povo de Deus. Nossa lista de oração deve contemplar os problemas e situações da vida, certamente – mas, mais importante ainda, deve contemplar as necessidades espirituais e anelar pelo crescimento do povo na Palavra e nos dons divinos. Veja que Paulo, mesmo sabendo das lutas, ora por crescimento no amor. Ele sabia que era a fé forte e o amor inflado que dariam meios de resistência em meio as lutas.
8.Temos de ter um senso da providência de Deus. O Deus trino está governando toda nossa vida. Temos de entender os caminhos de Deus e reconhecer que ele é soberano em toda e qualquer situação. Isso deve afetar nossa conduta, a forma como vivemos e respondemos diante de adversidades. Jó disse: “Bem sei que tudo podes e que nenhum de seus planos podem ser frustrados”.
9.Devemos guardar nosso coração e pedir que Deus faça crescer nele amor para com nosso irmão na fé – isso nos levará a uma vida de “santidade e sem culpa” no meio da comunidade cristã, a igreja.
10. Temos de ter a eternidade diante de nossos olhos. O toque da última trombeta deve ser tema de nossa mais profunda meditação. Jonathan Edwards, grande servo de Deus do passado, tinha esse senso da chegada de Cristo diante de si o tempo todo. Em suas resoluções, ele afirmou: “Resolvi jamais fazer qualquer coisa da qual eu deva ter medo, no caso de não restar mais do que uma hora para eu ouvir a última trombeta.”.
Encerro com as palavras do próprio Edwards, ao meditar sobre o retorno triunfante e definitivo de nosso Senhor Jesus Cristo:
“Cristo aparecerá na glória de seu Pai, junto de seus santos anjos, vindos nas nuvens do Céu…Essa será a mais inesperada visão para o mundo ímpio, a qual virá como um grito à meia noite. Mas com respeito aos santos, será uma visão de júbilo e a mais gloriosa de todas. Ver o Redentor vindo nas nuvens do Céu, encherá nosso coração da mais profunda e indizível alegria”

domingo, 27 de novembro de 2011

A Igreja precisa manter-se simples

A Igreja precisa manter-se simples
E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. 43 Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. 44 Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. 45 Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. 46 Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, 47 louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. Atos 2.42-47

Ao afirmarmos que a Igreja mantinha-se simples não estamos dizendo que a igreja primitiva era uma igreja pobre, ou uma igreja não sofisticada, mas uma igreja que vivia em conformidade com a essência da fé cristã. Note que existem seis declarações nesse versículo que expressam as atividades da Igreja Primitiva:

Doutrina dos Apóstolos

O primeiro ponto a ser ressaltado é a Doutrina dos Apóstolos. O que Lucas quer dizer com “perseveravam na doutrina dos apóstolos” é que a Igreja Primitiva mantinha-se firmada na instrução dos apóstolos. A idéia expressa pelo verbete “perseverar” é dar constante atenção a alguma coisa. Ou seja, a Igreja Primitiva mantinha-se constantemente alicerçada pelo ensino apostólico.

É importante ressaltar que até este ponto da história a doutrina da igreja primitiva podia ser resumida pelo v.36 do mesmo capítulo: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”. Contudo, é digno de nota que todos os apóstolos tinham sido instruídos por Cristo, e por certo podiam repassar aquilo que haviam aprendido. Aliás, a expressão grega referente a “doutrina dos apóstolos” sugere que tal instrução seja procedente dos apóstolos. Ou seja, o ensino da igreja é mantido por aqueles que tem autoridade e capacidade para tal tarefa.

Comunhão

Lucas não poderia estar equivocado quando utilizou o vocábulo “comunhão” quando se referiu à Igreja Primitiva. A descrição subseqüente, esplanada no tópico sobre unidade da igreja, expõe de forma muito clara as considerações dessa igreja. Assim, deve-se ressaltar que os primeiros cristãos “eram perseverantes (…) na comunhão”. E como foi anteriormente ressaltado, isso implica em dizer que eles eram fundamentados na experiência comum do corpo. Assim, como os outros pontos ressaltados por Lucas, a comunhão era essência da vitalidade da Igreja.

Partir do Pão

A expressão “partir do pão” não diz respeito a uma refeição típica da época, e que os cristãos mantinham-se comendo apenas pão, mas a expressão diz respeito à prática da Ceia do Senhor. O termo grego equivalente a partir em português é apenas utilizado no NT em referência à ceia. Alias. É digno de nota que o termo (the klasei tou artou) é apenas utilizado duas vezes no NT, ambas feitas por Lucas, e é de uso restrito à ceia. O uso da expressão é quase que um pleonasmo, visto que klasei (partir) só é aplicado a artou (pão). Segue-se que, com absoluta certeza, a igreja primitiva mantinha-se firmada constantemente no memorial da morte de Cristo.

Orações

As orações tinham um papel fundamental na vida da Igreja Primitiva. Isso pode ser claramente percebido pelo relado deixado por Lucas, que diversas vezes considera as orações dos primeiros cristãos. Em Atos podemos ver que a oração foi a atitude dos cristãos diante das decisões a serem tomadas (1.14), a atitude da liderança da igreja em situação de crescimento (6.4) e a prática da igreja quando estava em situação de perigo e perseguição (12.5).

Louvor

Esta é uma das poucas referências encontradas em Atos que descreve essa atitude dos cristãos. Isso, no entanto, não quer dizer que os primeiros cristãos não adoravam a Deus, mas que suas reuniões estavam mais voltadas para a instrução, a oração e a comunhão. Contudo, devemos notar que todos os outros fatos ocorriam enquanto os cristãos louvavam a Deus . Ou seja, embora sejam poucas as referências era uma atividade que estava intimamente ligada a expressão de adoração da igreja. Entretanto, não podemos afirmar com certeza se isso acontecia por meio da música, embora possa ser muito bem expressa por ela.

Evangelismo

No mesmo versículo podemos perceber, ainda que um pouco escondido, a atividade evangelizadora da Igreja Primitiva. Note: “e dia-a-dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos”. Por mais que a atividade esteja centralizada na atividade divina na salvação, sabe-se que “aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1Co.1.21). Portanto, não se pode negar que o evangelismo era parte integral da vida da igreja primitiva, sendo que isto acontecia diariamente. Segue-se, então, que a proclamação da verdade, o kerigma na Igreja Primitiva era parte essencial da vitalidade da Igreja de Cristo, assim como todos os elementos já mencionados.

A conclusão que devemos chegar aqui é que estes quatro elementos são essenciais na prática e na experiência da Igreja de Cristo. Portanto, a igreja local que não viabiliza a execução desses pontos não pode ser considerada uma igreja saudável.

Fonte: [ NAPEC - Apologética Cristã ]

domingo, 20 de novembro de 2011

PROGRAMA EDUCARTE EM CRISTO


PROPÓSITO: Fechar a porta para os problemas indesejados: O aborto, a prostituição, e todos os comportamentos contrários as LEIS DE DEUS. E resgatar os valores familiares e sociais.
O mundo foi FORMADO por DEUS (Doutrina da Criação). O mundo foi DEFORMADO pelo pecado (Doutrina da Queda). O mundo deve ser REFORMADO para a Glória de DEUS (Doutrina da Restauração e Redenção).
VISÃO:
- Construir uma Cultura Reformada e Cristã na Pluralidade Democrática.
Promover a transformação de vidas. Para isso, baseamos nossas ações na palavra de Deus. E assim cumprindo o IDE de Jesus Cristo ajudando ao Próximo.
MISSÃO:

- Formar Pessoas para influenciar em seus ambientes: familiar, profissional e educacional a partir de uma filosofia calvinista participativa.
Ação Social nas Escolas: (Linha de Ação)
Esse programa caracteriza-se em assessorar a escolas que tem em sua grade curricular o ensino religioso. Seu objetivo é criar ações que possibilitem o contato da comunidade escolar com a Bíblia, favorecendo o resgate de valores éticos e espirituais entre crianças adolescentes e seus familiares.

- Formar Profissionais e Líderes para influenciar o mercado: educacional, empresarial e político. Tratando dos mais diversos assuntos do interesse da população, procurando sempre esclarecer as duvidas existentes sobre as realidades existenciais dos desacertos sociais.
Inclusão do deficiente visual: (Linhas de Ação)
Esse programa contribui com o processo de inclusão, desenvolvimento cultural e amparo espiritual do deficiente visual. Busca ampliar a oferta de literatura Bíblica para esse segmento da população no formato de áudio.
Ação social pela paz: (Linha de Ação)
Baseado em ações preventivas, esse programa visa combater as causas da violência nas escolas. É voltado também a dependentes químicos e famílias em situação de risco social.
Princípios de Fé - Adota como única regra de fé e prática as Escrituras Sagradas do Velho e Novo Testamento sempre colocando Jesus Cristo como o centro de nossas vidas. - Sustenta como fiel sistema expositivo de doutrina as Confissões Reformadas; Sustenta a suficiência, infalibilidade e autoridade das Escrituras (Sola Scriptura), a supremacia da graça (Sola Gratia), e a efetividade da fé em Cristo (Sola Fide);
O programa “EDUCARTE EM CRISTO” nasce com o objetivo de semear esperança através da prática de soluções que contribuam para sensibilizar a comunidade cristã da cidade de falar sobre a importância de
bons tratos ao nosso próximo. Nosso desejo é que esta iniciativa seja prática e simples, a fim de ter uma melhor aceitação e um alcance mais abrangente.

O século XXI mostra que a religião tem importância global e que é preciso considerá-la em toda analise de assuntos globais. A liderança exige especialistas que possam olhar com profundidade para as leis de Deus. A maior necessidade de nossos dias é a da fé!
Através do Esporte estamos ajudando a jovens e adolescentes a se achegarem a igreja, na igreja aplicamos um curso Bíblico que tem como objetivo Educar esses jovens, numa perspectiva Cristã Reformada! Se você quiser ajudar de alguma maneira entre em contato conosco pelo Email: jbsolagratia@hotmail.com Que Deus nos abençoe!!!!
Pb. João Batista de Lima
"A igreja deve atrair pela
diferença e não pela igualdade".
C.H. Spurgeon
Faça parte desta história! Seja um parceiro e contribua para transformação de jovens através deste programa!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Primeiro elemento constitutivo do culto público: Pregação a partir da Bíblia

Primeiro elemento constitutivo do culto público:
Pregação a partir da Bíblia -

O primeiro elemento constitutivo do culto público, a saber, a pregação a partir da Bíblia. Sei que pode soar um tanto quanto "óbvio" o fato de dizermos que dentro de uma igreja que se diz cristã ser necessário que se pregue a palavra de Cristo - o seu mestre -, mas é necessário que tenhamos em mente que o mero reunir-se em uma igreja que se intitula "evangélica", não caracteriza verdadeira fidelidade à revelação (a Bíblia Sagrada) que Deus nos deixou e por isso que precisamos compreender algumas implicações que deve ter o pregar a partir da Bíblia.

Há tempos ouvi um pastor falando que conhecia um pregador que era conhecido como "o pastor engraçado" (ou "pastor piadista", algo assim), pois suas "pregações" eram sempre muito engraçadas, cheias de comédia e as vezes os ouvintes até mesmo urinavam de tanto rir durante as "pregações". Pensei por um breve momento que aquele pastor iria repudiar tal atitude de seu conhecido, mas não o fez; pelo contrário, aprovou e disse que não havia nada de errado com se ter uma pregação engraçada e que entretenha as pessoas.

"E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele. Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3:1-6). Nesta passagem - humanamente falando -, Jesus tem uma excelente oportunidade para pregar a Sua própria mensagem àquele homem que era o príncipe dos judeus, porém Ele não o faz. Jesus não respondeu a Nicodemos de forma engraçada ou suavizou Sua mensagem. Quando Nicodemos questiona Jesus sobre como seria possível alguém nascer de novo (v. 9), Jesus simplesmente lhe responde: "Tu és mestre de Israel, e não sabes isto? (Jo 3:10). O que Jesus quis dizer àquele homem era: "Tu que és mestre de Israel e príncipe dos judeus, que ensinas e te vanglorias de teu conhecimento, não conheces o princípio mais básico sobre a mensagem que dizes viver?". Em momento algum vemos Jesus suavizando ou "divertindo" sua mensagem.

Em outra situação, Jesus ao combater o ensino dos fariseus sobre a necessidade de se lavar as mãos antes de comer (coisa que a lei veterotestamentária não havia imposto) e dizer que o que entra pela boca não é o que contamina, mas o que sai, é indagado por seus discípulos que questionam: "Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?" (Mt 15:12). Vemos então a resposta do mestre: "Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada. Deixai-os; são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova" (Mt 15:13-14). Aqui, novamente, não encontramos nenhum resquício de Jesus amenizando a mensagem, mas sim pregando-a com amor, contudo, energicamente e sem jamais renunciar a Verdade.

Ainda outra narrativa nos mostra como Jesus respondeu ao povo que foi até ele apenas para saciarem-se com pães: "E, achando-o no outro lado do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui? Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou" (Jo 6:25-27). Neste ponto, mais uma vez percebemos que Jesus não adulterou a mensagem para que todo aquele povo continuasse a segui-Lo (do ponto de vista humano, que grande oportunidade desperdiçada!), mas condenou o erro e apontou para solução, isto é, que não se trabalhasse pela comida passageira, mas pela verdadeira comida, isto é, a palavra de Deus que nos supre para sempre.

De igual modo, quando o apóstolo Paulo está escrevendo ao seu amado Timóteo, ele insta-o para: "Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina" (2Tm 4.2). As cartas de Paulo são cheias de admoestações e instruções para seus queridos e para as igrejas que ele visitou ou visitaria, contudo não encontramos nenhuma exortação paulina para que os crentes "se divertissem" durante a pregação. Escrevendo a Timóteo, Paulo lhe diz para que pregasse a palavra, redarguisse, repreendesse e exortasse com toda longanimidade e doutrina. Pergunto: onde que encontramos base para termos uma pregação divertida? Respondo: em lugar algum.

O Catecismo Maior de Westminster nos dá diretrizes de como deve ser pregada a palavra de Deus:

Pergunta 159: “Como deve ser pregada a Palavra de Deus por aqueles que para isso são chamados? Resposta: Aqueles que são chamados a trabalhar no ministério da Palavra devem pregar a sã doutrina (Tt 2.1, 7, 8), diligentemente, em tempo e fora de tempo (At 18.25; II Tm 4.2); claramente (I Co 14.9), não em palavras persuasivas de humana sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder (I Co 2.4); fielmente (Jr 23. 28; I Co 4. 1, 2), tornando conhecido todo o conselho de Deus (At 20.27), sabiamente (Cl 1.28; II Tm 2.15) acomodando-se às necessidades e às capacidades dos ouvintes (I Co 3.2; Hb 5.12-14; I Ts 2.7; Lc 12.42) zelosamente (At 18.15; II Tm 4.5), com amor fervoroso para com Deus (II Co 5.13, 14; Fp 1.15-17) e para com as almas do seu povo (II Co 12.15; I Ts 3.12); sinceramente (II Co 4. 2; II Co 2. 17), tendo por alvo a gloria de Deus (Jo 7.18; I Ts 2. 4-6) e procurando converter (I Co 9.19-22), edificar (II Co 12.19; Ef 4.12) e salvar as almas (I Tm 4.16; II Tm 2.10; At 16.16-18)”. Diante dessas diretrizes elaboradas por homens piedosos, percebemos que em momento alguns eles sugerem que a palavra de Deus deva ser pregada com irreverência, pouca importância ou ainda que ela deva ser "divertida" e rápida.

Mas afinal, por quê é necessário que preguemos somente a palavra de Deus? Deixem-me listar 3 motivos (baseados em 2 Tm 3.16,17) pelos quais tão somente a palavra de Deus deve ser pregada e deva ser o centro do culto ao Senhor:

1. Somente a Escritura é divinamente inspirada por Deus - "Toda a Escritura é divinamente inspirada (2 Tm 3:16a).

Procuraremos em vão pelo restante das Escrituras em busca de alguma sentença que nos indique que algum outro escrito tenha sido escrito e inspirado pelo Senhor. Certamente que nos vem à mente a questão sobre os livros apócrifos e os pseudo-epígrafos, mas sobre eles falaremos em outra oportunidade [1]. Contudo, precisamos ter a certeza de que o livro que temos em mãos foi divinamente inspirado - mas que implicação isso tem?

Implica em dizer que, apesar de ter sido escritos por homens, estes foram inspirados pelo Senhor, isto é, "homens santos de Deus falaram [e aqui acrescento: escreveram] inspirados pelo Espírito Santo" (2 Pe 1:21). Dizer que a Escritura é divinamente inspirada, é afirmar que ela é perfeita, pura, e destituída de qualquer pecado ou invenção humana. Mas o que as Escrituras nos ensinam? O Breve Catecismo de Westminster nos auxilia nessa questão.

Pergunta 3. "Qual é a coisa principal que as Escrituras nos ensinam?" Resposta: "A coisa principal que as Escrituras nos ensinam é o que o homem deve crer a respeito de Deus, bem como o dever que Deus requer do homem" (Mq 6.8; Jo 20.31; Jo 3.16).

Vemos que por ser inspirada, a palavra de Deus não necessita de acréscimo humanos ou de "benfeitorias necessárias", como se partes da revelação divina estivessem caducadas pelo tempo ou ainda que não sejam coerentes com o "tempo em que vivemos". Por divina, o Senhor quer dizer-nos que ela é fidedigna, isto é, que merece crédito, que tem procedência, pois emana do Pai celestial, o criador dos céus e da terra. "Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tg 1:17 - grifo meu). Se Deus é imutável, logo a Sua palavra também será imutável. Não haveria lógica em Deus dispor-nos de uma revelação para seguirmos (a Bíblia) e após morrermos recebermos o veredicto de que na verdade o Senhor "mudou de opinião" e agora executará a Sua justiça a partir de algo que nenhum humano jamais conheceu, e que por isso, todos estarão condenados.

Se o Senhor não pode mudar e inspirou toda a Sua palavra aos homens, aprendemos que temos uma revelação inspirada por Ele e que jamais poderá substituída, quer seja por filosofias ou qualquer outra "boa ideia" sugerida por vis pecadores.

2. Somente a Escritura pode nos ensinar, responder, corrigir e instruir em justiça - "e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça" (2 Tm 3:16b).

É importante atentarmos para o fato de que se a palavra de Deus foi inspirada por Ele mesmo, naturalmente decorre de que as Escrituras são suficientes para instruir e guiar o homem em sua peregrinação pela terra.

Muitos homens têm proclamado essa verdade em suas conversas, pregações e livros publicados, contudo tais palavras apenas "têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne" (Cl 2.23). Como vemos nos jornais e nas revistas, está "na moda" ser evangélico e crer numa entidade superior. O "evangelicalismo" está em alta, muitas editoras "evangélicas" estão com suas produções aquecidas, as livrarias "cristãs" proliferam com grande rapidez - mas será esse um marco da verdadeira vida cristã e de um avivamento genuíno? Creio que não.

Quando a palavra de Deus nos diz que ela é útil "para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça", isso necessariamente deve-se traduzir em boa piedade cristã, isto é, boa doutrina aliada à prática - e nesse ponto, os puritanos eram majestosos. Eles concordavam com o Catecismo Maior de Westminster que diz:

Pergunta 01: “Qual é o fim supremo e principal do homem? Resposta: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus (Rm 11.36; I Co 10.31) e gozá-lo para sempre”(Sl 73.24- 26; Jo 17.22- 24).

Mas como isso se traduz na vida prática? Para Thomas Watson (puritano que viveu entre 1620 e 1686), essa resposta do catecismo tinha duas finalidades específicas para a vida: a glorificação de Deus e a satisfação em Deus [2]. "Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém" (1 Pe 4:11 - grifo meu).

Não há nenhum outro documento, livro, pensamento ou filosofia que esteja apto a ensinar o homem cristão sobre quem é Deus e o que o Senhor requer de Seus filhos, exceto a Bíblia. A suficiência das Escrituras nos mostram que pautar-se pelo estrito ensinamento bíblico é o melhor caminho a se seguir.

3. Somente a Escritura pode nos tornar perfeitos e aptos para a obra do Senhor - "Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2 Tm 3:17).

A finalização dessa breve sentença de Paulo (versículos 16 e 17) é quase que uma obviedade devido a construção que ele faz, contudo parece ser extremamente obscura para muitos professos da fé cristã.

Muitos "evangélicos" concordariam com nosso primeiro ponto que diz que "toda a Escritura é divinamente inspirada". Também estariam de acordo de que ela é "proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça", porém, quando suas vidas são analisadas à luz dessa Escritura que é proveitosa para instruir em todo o conhecimento de Deus, percebemos que o círculo não completa o seu ciclo, isto é, embora professem crer na inspiração da Escritura e digam que ela é proveitosa para suas vidas, isso não se manifesta em suas obras e em seu caráter que deveria ser de um crente em Cristo Jesus. Em muitos casos a Palavra de Deus parece ser suficientemente clara, a ponto de ninguém poder escusar-se da responsabilidade que tem de seguir os princípios bíblicos ali expostos - e creio que esse seja um desses casos.

Observemos que Paulo finaliza o seu argumento dizendo que a implicação prática de toda a Escritura ser divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, é "Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra". Mas diferentemente do que muitos homens afirmaram - como John Wesley, Charles Finney e outros -, não se pode atingir a perfeição moral (isto é, boas obras e um viver digno perante a sociedade) e nem tampouco a perfeição teológica nessa vida (que naturalmente leva à uma boa prática cristã).

Paulo instrui a Timóteo dizendo que a Escritura é suficiente "Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (grifo meu). Note que em momento algum das Escrituras (em todos os 66 livros da Bíblia) nos é dito que o homem convertido deixa de pecar quando torna-se crente, contudo, nos diz que no tocante à sua vida pós conversão, esse homem passa a ter um parâmetro perfeito para sua vida, a saber, as Escrituras. Isto é, se o homem regenerado não passa a pautar-se pelas Escrituras, grandes são as dúvidas de que tal homem foi verdadeiramente transformado - "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Rm 8:9).
A finalidade das Escrituras é nos fazer "perfeitamente instruído(s) para toda a boa obra", ou seja, se desejamos ter um andar cristão, um pensar cristão, um viver cristão, precisamos sem demora nos banharmos nas águas santas e profundas das Escrituras. "Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era. Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito" (Tg 1:23-25).
Amém.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Por Que Não Aceito os Evangelhos Apócrifos

Por Que Não Aceito os Evangelhos Apócrifos
.Por Augustus Nicodemus Lopes

Vamos iniciar perguntando o que é um “evangelho”. O termo é a tradução da palavra grega euaggelion, “boas novas”, usada a princípio para se referir ao conteúdo da mensagem de Jesus Cristo e dos seus apóstolos. Posteriormente, a palavra veio se referir a um gênero literário específico que nasceu com o Cristianismo no séc. I. Lembremos que o Cristianismo, em termos culturais, ocasionou o surgimento, não somente de novas músicas, mas também de gêneros literários como epístolas e evangelhos.

Esse novo gênero literário tinha algumas características distintas. Incluía obras escritas entre o séc. I e o séc. IV por autores cristãos que giravam em torno da pessoa de Cristo, sua obra e seus ensinamentos. Essas obras reivindicam autoria apostólica ou de alguma outra personagem conhecida da tradição cristã. Reivindicavam também que seu conteúdo remontava ao próprio Jesus.

Existem centenas de “evangelhos” conhecidos. Alguns são apenas mencionados na literatura dos Pais da Igreja e deles não temos qualquer amostra do conteúdo. Outros sobreviveram em fragmentos ou reproduzidos em parte em outras obras, como, por exemplo:
• Evangelho dos Hebreus
• Evangelho dos Ebionitas (ou dos Doze Apóstolos)
• Evangelho dos Egípcios
• Evangelho Desconhecido
• Evangelho de Pedro, para mencionar alguns.

Já outros, sobreviveram em cópias completas ou quase, como:
• Os Evangelhos canônicos de Mateus, de Marcos, Lucas e de João,
• Evangelho de Tomé
• Evangelho de Judas
• Evangelho de Nicodemus
• Proto-Evangelho de Tiago
• Evangelho de Tomé o Israelita
• Livro da Infância do Salvador
• História de José, o Carpinteiro
• Evangelho Árabe da Infância
• História de José e Asenate
• Evangelho Pseudo-Mateus da Infância
• Descida de Cristo ao Inferno
• Evangelho de Bartolomeu
• Evangelho de Valentino, entre outros.
Esses evangelhos são tradicionalmente classificados em canônicos e apócrifos.

Evangelhos Canônicos

Nessa primeira categoria se enquadram somente 4 evangelhos, os Sinóticos e João. Conforme a tradição patrística e da Igreja em geral, eles foram escritos no séc. I pelos apóstolos de Jesus Cristo ou alguém do círculo apostólico. Marcos teria sido o primeiro a ser escrito, no início da década de 60, por João Marcos, que segundo a tradição, registrou o testemunho ocular de Simão Pedro. Ele escreveu aos cristãos de Roma para ajudá-los e fortalecê-los diante das perseguições.

Mateus teria sido escrito em meados da década de 60 por Mateus, o publicano apóstolo, para evangelizar os judeus, a partir do seu testemunho ocular e usando talvez o Evangelho de Marcos como base para a estrutura da narrativa.

Lucas, escrito pelo médico gentio Lucas, convertido ao Cristianismo, que foi companheiro de viagem de Paulo e que freqüentava o círculo apostólico, teria produzido esse evangelho pelo final da década de 60, a partir de pesquisa que fez da tradição oral e escrita que remontava aos próprios apóstolos. Seu objetivo, conforme declaração no início da obra Lucas-Atos, era firmar na fé um nobre romano chamado Teófilo.

Já o Evangelho de João teria sido escrito pelo apóstolo amado por volta da década de 70 ou 80, com aparentemente vários objetivos, entre eles combater o crescimento do gnosticismo. João escreve a partir de seu testemunho ocular, a partir do seu entendimento acerca da pessoa e da obra de Cristo.

Esses 4 evangelhos cedo foram reconhecidos pela Igreja cristã nascente como inspirados por Deus e autoritativos, como Escritura Sagrada, visto que seus autores foram apóstolos, a quem Jesus havia prometido o Espírito Santo para os guiar em toda a verdade (Mateus e João), ou alguém proximamente relacionado com eles (Lucas e Marcos). Assim, eles aparecerem em listas importantes dos livros recebidos como canônicos pela igreja, como o Cânon Muratório (170 d.C.), a lista de Eusébio de Cesareia (260-340) e a lista de Atanásio (367).

Os demais evangelhos, chamados de apócrifos, implicitamente reconhecem a validade do critério canônico da apostolicidade, ao reivindicar para si também a autoria apostólica e o conhecimento de segredos que não foram revelados aos apóstolos.

Evangelhos Apócrifos

O nome vem do grego apocryphon, “oculto”, “difícil de entender”. Esses evangelhos são geralmente classificados em narrativas da infância de Jesus, narrativas da vida e da paixão de Jesus, coleção de ditos de Jesus e diálogos de Jesus.

As narrativas da infância mais conhecida são o Proto-Evangelho de Tiago, Evangelho de Tomé o Israelita, o Livro da Infância do Salvador, a História de José, o Carpinteiro, o Evangelho Árabe da Infância, a história de José e Asenate e o Evangelho Pseudo-Mateus da Infância. Entre as narrativas da vida ou paixão de Cristo mais importantes se destacam o Evangelho de Pedro, o Evangelho de Nicodemus, o Evangelho dos Nazarenos, o Evangelho dos Hebreus, o Evangelho dos Ebionitas e o Evangelho de Gamaliel.

Existem apenas dois que se enquadram na categoria de coleção de ditos de Jesus, o Evangelho de Tomé e o suposto documento Q (quelle, “fonte” em alemão), do qual não se tem prova concreta da existência. Na categoria de diálogos de Jesus com outras pessoas e revelações que ele fez em secreto mencionamos o Diálogo com o Salvador e o Evangelho de Bartolomeu.

Essas obras são chamadas de evangelhos apócrifos por que não são considerados como obras genuínas, produzidas pelos apóstolos ou pelos supostos autores. Além disso, pretendem transmitir um conhecimento esotérico, oculto, além daquele conhecimento dos apóstolos. Em grande parte, esses evangelhos foram escritos por autores gnósticos com o propósito de difundirem as suas idéias no meio da igreja, usando para isso a autoridade dos evangelhos canônicos e dos apóstolos. Alguns deles foram encontrados século passado em Nag Hammadi, norte do Egito.

O Proto-evangelho de Tiago, por exemplo, escrito no século II, que descreve o nascimento e a infância de Jesus e a juventude da Virgem Maria, é tipicamente uma tentativa de satisfazer à curiosidade popular em torno de coisas não mencionadas nos evangelhos canônicos. A teologia desse "evangelho" é a de um docetismo popular: Jesus tem um corpo não sujeito às leis do espaço e do tempo. O escrito não tem valor como fonte histórica sobre Jesus.

Outro exemplo é o Evangelho da Verdade. Esse não é um evangelho no sentido costumeiro da palavra; é antes uma meditação, uma espécie de sermão sobre a redenção pelo conhecimento (gnosis) de Deus. É atribuído ao gnóstico Valentino, que viveu em meados do século II e por conseguinte, não ajuda em nada a pesquisa sobre o Jesus histórico. Na mesma linha vai o Evangelho de Filipe, escrito antes de 350. É, evidentemente, uma compilação de materiais mais antigos. O texto causou certo sensacionalismo quando da sua publicação, porque sugere uma relação amorosa entre Jesus e Maria Madalena. O Evangelho de Pedro – um fragmento que se conservou – descreve o processo contra Jesus, sua execução e sua ressurreição. Sua cristologia é a do docetismo: aquele que sofre e morre é apenas uma aparição do verdadeiro Jesus, que é divino e por isso não pode sofrer e morrer. Conforme esse evangelho, o corpo de Jesus se volatiliza na cruz antes de subir ao céu.

É preciso dizer que existem vários destes evangelhos apócrifos que foram compostos por autores cristãos desconhecidos, não gnósticos, e que aparentam refletir um tipo de cristianismo popular marginal. A maior parte deles pretende suprir a falta de informação histórica nos evangelhos canônicos, fornecendo detalhes sobre a infância de Jesus, diálogos dele com os apóstolos, informações sobre Maria e demais personagens que aparecem nos evangelhos tradicionais. Em alguns casos, parece que foram escritos para defender doutrinas não apostólicas e que estavam começando a ganhar corpo dentro do Cristianismo, como por exemplo, o conceito de que Maria é mãe de Deus e medianeira. O Proto-Evangelho de Tiago, já do séc. III, explica porque Maria foi a escolhida: por sua virgindade e santidade, e a defende como mãe de Deus e medianeira.

Alguns contém exemplos morais não recomendáveis. Por exemplo, o Evangelho de Tomé, o Israelita, narra diversos episódios em que o menino Jesus amaldiçoa e mata quem fica em seu caminho. Quase todos são recheados de histórias lendárias e bobas, como o Evangelho de Nicodemus, que narra como José de Arimatéia, Nicodemus e os guardas do sepulcro se tornaram testemunhas da ressurreição de Jesus. É um livro cheio de lendas, fantasias e histórias fantásticas.

Os evangelhos apócrifos usaram diversas fontes em sua composição: o Antigo Testamento, os próprios evangelhos canônicos e as cartas de Paulo. Usaram também tradições cristãs extra-canônicas, de origem desconhecida e suas próprias idéias e conceitos.

A Atitude da Igreja para com os Evangelhos Apócrifos

No período pós-apostólico alguns desses Evangelhos chegaram a ser recebidos por um tempo, como leitura proveitosa, como o Evangelho de Pedro, a princípio recomendado por Serapião, bispo de Antioquia em 191 d.C., mas depois, ele mesmo reconhece que ele tem elementos estranhos e o desrecomenda. Assim, nenhum deles jamais foi reconhecido como autêntico e apostólico.

Desde cedo a Igreja Cristã rejeitou estas obras, pois não preenchiam o critério de canonicidade: não foram escritas pelos apóstolos ou por alguém ligado a eles, contradiziam a doutrina cristã, tinham exemplos e recomendações morais e éticas pouco recomendáveis, e seus autores falsamente atribuíram a autoria aos apóstolos, como por exemplo, o Evangelho de Tomé, de Pedro, de Bartolomeu, de Filipe. Além do mais, suas histórias fantásticas acerca de Cristo claramente revelavam seu caráter especulativo e supersticioso, ao contrário da sobriedade e da seriedade dos evangelhos bíblicos. Não é de admirar, portanto, que eles não aparecem em nenhuma das listas canônicas, onde os 4 evangelhos canônicos aparecem.

Aqui cabe-nos mencionar o testemunho de Eusébio em sua História Eclesiástica, ao falar do Evangelho de Pedro, Tomé e Matias:
"Nenhum desses livros tem sido considerado digno de menção em qualquer obra de membros de gerações sucessivas de homens da Igreja. A fraseologia deles difere daquela dos apóstolos; e opinião e a tendência de seu conteúdo são muito dissonantes da verdadeira ortodoxia e claramente mostram que são falsificações de heréticos. Por essa razão, esse grupo de escritos não deve ser considerado entre os livros classificados como não autênticos, mas deveriam ser totalmente rejeitados como obras ímpias".
Essa postura prevaleceu até a Reforma Protestante e o período posterior chamado de ortodoxia protestante. Com a chegada do método histórico-crítico, filho do Iluminismo e do racionalismo, passou-se a negar a autoria apostólica e a inspiração divina dos Evangelhos canônicos. Os mesmos passaram a ser vistos como produção da fé da Igreja, sem valor real para a reconstrução do Jesus histórico. Dessa perspectiva, os evangelhos apócrifos chegaram então a ser considerados como literatura tão válida como os canônicos para nos dar informações sobre o Cristianismo nascente, embora não sobre o Jesus histórico.

O renascimento do interesse pelos evangelhos apócrifos, em particular, os gnósticos.

A partir da visão crítica defendida pelo liberalismo teológico e pelo método histórico-crítico, em anos recentes os evangelhos escritos pelos gnósticos passaram a receber grande atenção e importância nos estudos neotestamentários das origens do Cristianismo e na chamada busca do Jesus histórico.

Vários fatos têm contribuído para isso. Primeiro, o surgimento do Jesus Seminar nos Estados Unidos, considerada a 3ª. etapa da busca do Jesus histórico iniciada pelos liberais do século XVIII. Um de seus membros mais conhecidos, cujas obras têm sido traduzidas e publicadas no Brasil é John Dominic Crossan. Em sua obra O Jesus Histórico: A vida de um camponês judeu do mediterrâneo de 1991, ele emprega os apócrifos Evangelho de Pedro e especialmente o Evangelho de Tomé para a reconstrução do Jesus histórico. Segundo Crossan, essas duas obras são mais antigas que os Evangelhos canônicos e contém informações importantes que não foram incluídas em Mateus, Marcos, Lucas e João. Essa atitude de Crossan é característica dos demais membros do Jesus Seminar e de muitos outros eruditos neotestamentários, que aceitam a autoridade dos evangelhos apócrifos, especialmente os gnósticos, acima daquela dos canônicos. Aqui podemos mencionar Elaine Pagels, cuja obra Os Evangelhos Gnósticos, recentemente traduzida e publicada em português, vai nessa mesma direção.

Segundo, a publicidade e o sensacionalismo da grande mídia em torno da descoberta e publicação dos textos dos evangelhos gnósticos, como o Evangelho de Judas e de Tomé. A mídia tem difundido a teoria de que a Igreja cristã teria ocultado e guarda até hoje outros evangelhos que remontam à época de Jesus e que contradiriam e refutariam totalmente o Cristianismo tradicional e ortodoxo. A veiculação pela mídia vai na mesma linha de propaganda e especulações anticristãs voltadas mais diretamente contra a Igreja Católica Romana e que acaba respingando nos protestantes, especialmente as igrejas históricas. Em 2004 foi o Evangelho de Tomé. Em 2006 foi a vez do Evangelho de Judas ganhar a capa de revistas populares pretensamente científicas. A ignorância dos articulistas, o preconceito anticristão, a busca do sensacionalismo, tudo isso contribuiu para que a publicação do manuscrito copta do Evangelho de Judas recebesse uma atenção muito maior do que a devida. Em 2007 foi a suposta sepultura de Jesus, uma inscrição antiga contendo o nome de Tiago, irmão de Jesus, e outras “descobertas” arqueológicas, fizeram a festa da mídia em anos mais recentes.

Não se deve pensar que essa atitude é um fenômeno atual. Desde os primórdios do Cristianismo, escritores pagãos como Celso e Amiano Marcelino publicam material atacando as Escrituras e o Cristianismo. Estou acostumado a assistir, anos a fio, a exploração sensacionalista dessas descobertas. Quando da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto e das polêmicas e questões inclusive legais que envolveram a tradução e a publicação dos primeiros rolos, a imprensa da época especulava que os Manuscritos representariam o fim do Cristianismo, pois traria informações que contradiriam completamente o Evangelho. Os anos se passaram e verificou-se a precipitação da imprensa. Os rolos na verdade tiveram o efeito contrário, confirmando a integridade e autenticidade do texto massorético do Antigo Testamento.

Terceiro, produções de Hollywood como “O Código da Vinci”, “O Corpo”, “Estigmata”, “A última Ceia de Cristo” que se baseiam nesses evangelhos gnósticos têm servido para difundi-los popularmente.

O Evangelho de Judas

Examinemos mais de perto os dois evangelhos gnósticos que têm atraído recentemente a atenção da academia e do público em geral, que são os evangelhos de Judas e de Tomé.

O Evangelho de Judas preservou-se em um manuscrito copta do século IV, que supostamente conteria uma tradução do evangelho apócrifo grego de Judas, cuja origem é estimada em meados do século II. A restauração e a tradução do manuscrito copta foram anunciados em 6 de abril de 2006, pela National Geographic Society em Washington.

Não se trata da descoberta do Evangelho de Judas. O mesmo já é um velho conhecido da Igreja cristã. Elaborado em meados do século II, provavelmente na língua grega, era conhecido de Irineu, um dos pais apostólicos. Na sua obra Contra as Heresias, Irineu o menciona explicitamente, como sendo uma obra espúria produzida pelos gnósticos da seita dos Cainitas. No século V o bispo Epifânio critica o Evangelho de Judas por tornar o traidor em um feitor de boas obras.

Não se trata também da descoberta de um manuscrito antes desconhecido contendo essa obra. Acredita-se que o único manuscrito conhecido, escrito em copta, foi descoberto em meados da década de 1950 e depois de uma longa peregrinação nas mãos de colecionadores, bibliotecas, comerciantes de antiguidades e peritos, chegou às mãos das autoridades. Sua existência foi anunciada ao mundo em 2004. Trata-se de um códice com 25 páginas de papiro, envoltas em couro, das 62 páginas do códice original. Somente essas 25 páginas foram resgatadas pelos especialistas. A tradução que veio a lume em 2006 é dessas páginas.

O que é de fato novo é a tradução do texto desse apócrifo, texto até então desconhecido. Contudo, o ponto central que a mídia tem destacado com sensacionalismo, já era conhecido mediante as citações de Irineu e Epifânio, ou seja, que esse evangelho procura reabilitar Judas da pecha de traidor, transformando-o em vítima e herói.

Várias matérias publicadas na mídia diziam que Judas Iscariotes é o autor desse evangelho. Contudo, não existe prova alguma disso. Segundo o relato dos quatro Evangelhos canônicos, Judas suicidou-se após a traição. Como poderia ser o autor dessa obra? Irineu, no século II, atribuía a autoria do evangelho de Judas aos Cainitas, uma seita gnóstica. No códice descoberto e agora publicado, não consta somente o evangelho atribuído a Judas, mas duas obras a mais: a “Carta a Filipe” atribuída ao apóstolo Pedro e “Revelação de Jacó”, relacionado com o patriarca hebreu. A presença do evangelho de Judas em meio a essas duas obras apócrifas é mais uma prova da autoria espúria desse evangelho. Chega a ser irritante o preconceito da mídia, que sempre veicula matérias que negam a autoria tradicional dos Evangelhos canônicos, mas que rapidamente atribui a Judas Iscariotes a autoria desse apócrifo.

O manuscrito que agora foi traduzido não data do século II, mas do século IV. Especula-se que é uma tradução para o copta de uma obra mais antiga escrita em grego, que por sua vez dataria de meados do século II. Daí a inferir a autoria de Judas Iscariotes, que morreu na primeira parte do século I, vai uma grande distância. A seita dos Cainitas, segundo Irineu em Contra as Heresias, era especialista em reabilitar personagens bíblicas malignas, como Caim, os sodomita e Judas. A produção de um evangelho reabilitando o traidor se encaixa perfeitamente no perfil da seita.

Ao final, pesando todos os fatos e filtrando o sensacionalismo e o preconceito anticristão, a publicação do evangelho de Judas em nada contribuirá para nosso conhecimento do Judas Iscariotes histórico e muito menos do Jesus histórico – servirá apenas para nosso maior conhecimento das crenças gnósticas do século II. Não representa qualquer questionamento sério do relato dos Evangelhos canônicos, cuja autoria e autenticidade são muito mais bem atestadas, datam do século I e receberam reconhecimento e aceitação universal pelos cristãos dos primeiros séculos.

O Evangelho de Tomé

Esse Evangelho consiste numa coleção de 114 ditos que Jesus supostamente teria ditado a seu irmão gêmeo, Tomé. Ele faz parte da livraria gnóstica descoberta em Nag Hammadi em meados do século passado. O que temos é um manuscrito copta, tradução de uma versão em grego desse Evangelho, datada do séc. III. Calcula-se que o evangelho original deve ter sido escrito no séc. II.

Não se trata de um evangelho no sentido usual do termo, visto que não contém qualquer narrativa sobre o nascimento, ministério ou paixão de Cristo. Trata-se de uma coleção de ditos de Jesus sem qualquer moldura geográfica, temporal ou histórica que nos permita localizar quando, onde e em que contexto Jesus os teria pronunciado. Calcula-se que foi escrito na região da Síria, onde existem tradições sobre o apóstolo Tomé e onde se sediava a seita dos encratitas, ascéticos que defendiam uma forma heterodoxa de Cristianismo.

Apesar de trazer muitas citações dos evangelhos canônicos, a teologia do Evangelho de Tomé é abertamente gnóstica. Defende a salvação através do conhecimento secreto e esotérico que Jesus revelou a seu discípulo Tomé. Está eivado das dicotomias e dualismos característicos do pensamento gnóstico mais evoluído do séc. II. Trata-se claramente de uma produção dos mestres gnósticos, que se valeram dos evangelhos canônicos e do nome do apóstolo Tomé para divulgar e espalhar suas crenças.

Como reagimos a tudo isso?

Apesar de todos os esforços da mídia e dos liberais, não se consegue provar que os evangelhos gnósticos foram escritos no primeiro século. Eles são produções posteriores aos canônicos e que se valeram dos canônicos como fontes. O maior argumento dos liberais para provar que o Evangelho de Tomé, contendo ditos de Jesus, foi escrito no séc. I antes dos canônicos depende da existência do suposto proto-Evangelho “Q”, a qual nunca foi provada.

O testemunho dos pais apostólicos é unânime em rejeitar esses evangelhos e atribuí-los a falsificações feitas pelos gnósticos com o propósito de espalhar suas ideais e ensinamentos. O conteúdo deles é distintamente diferente dos evangelhos canônicos e da religião ensinada no Antigo Testamento.

As reconstruções do Jesus histórico feitas pelos que dão prioridades aos apócrifos, especialmente os evangelhos gnósticos, deixam sem explicação o surgimento das tradições escatológicas a respeito dele que hoje encontramos nos Evangelhos canônicos. Nem mesmo a tese da “imaginação criativa da comunidade” defendida pela crítica da forma pode explicar satisfatoriamente como um camponês judeu, com idéias e estilo de vida de um filósofo cínico, praticando o curandeirismo entre o povo simples, cheio de idéias gnósticas, acabou por ser transformado no Cristo que temos nos Evangelhos em tão curto espaço de tempo, e ainda com as testemunhas oculares dos eventos ainda vivas.

Fonte: [ O Tempora, O Mores! ]
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Comemorando a Reforma

Comemorando a Reforma
Há 494 [Nota do Blog dos Eleitos: em 2011 comemoramos 494 anos] anos atrás um padre colocava um cartaz, contendo 95 teses, na porta da Catedral de Wittenberg. No dia 31 de Outubro, Martinho Lutero resolveu expor publicamente o que ele descobrira acerca da salvação nos seus estudos da Escritura Sagrada.

Eventos antecedentes à Reforma

A Reforma iniciou num ambiente favorecido pela crise que a Europa sofria durante a Idade Média. Seis eventos podem esclarecer a origem deste movimento:

1. A origem e desenvolvimento da burguesia. Durante a Idade Média uma nova classe social surgiu no sistema feudal. Uma "classe média" interpôs-se entre os senhores feudais e os seus miseráveis vassalos. Artesãos enriqueciam, e começaram a enviar os seus filhos para os monastérios, não com o intuito de tornarem-se monges, mas para aprenderem o uso das letras, para adquirir a cultura necessária para aplicá-la nas transações comerciais emergentes.

2. A origem das universidades. Os monges eram os detentores da cultura, por isso, criaram escolas anexas aos seus monastérios. Os senhores feudais e os burgueses com recurso financeiro enviavam os seus filhos para serem educados por eles. A partir do século XI a Europa passa a ter seis centros culturais nas cidades de Salerno, Bolonha, Salamanca, Coimbra, Orfoxd, e Paris. Este movimento educacional conhecido como Escolasticismo limitava-se ao estudo de quatro áreas especiíficas como a medicina, direito, artes e a teologia, que era o centro unificador destes cursos recebendo o título de rainha das ciências.

3. O enfraquecimento do poder político da Igreja Católica Romana. O evento conhecido como Cativeiro Babilônico, em que o Papa Bonifácio VIII, ficou prisioneiro do rei francês Felipe, causou uma mudança no eixo do controle da Europa medieval. O Papa que então entronizava, ou efetiva maldições sobre reis e reinos, tornava-se detento de sua própria estratégia de centralizar o poder. Em reação, o clero romano propõe anular o seu papado, sob domínio francês, e anunciar um substituto; então, surgem simultaneamente três papas na Europa: Urbano VI, em Roma, Bento XIII, em Avinhão e Clemente VIII, em Anagni. Esta controvérsia ficou conhecida como o Grande Cisma (1378-1423).

4. O grande número de mortes por causa da Peste [bubônica], em 1347. Com a desestruturada migração para as cidades, a falta de recursos básicos em higiene e moradia, bem como a proliferação de animais peçonhentos, propiciou para um ambiente em que uma pandemia como a peste bubônica se alastrasse de uma forma nunca vista antes na Europa medieval. A religião não forneceu respostas, nem garantias para a presente vida. As pessoas procuravam assegurar a sua vida eterna através das exigências da Igreja Romana. Este ambiente religioso gerou um sentimento apocaliptíco na Europa, de modo que a Igreja reconquistou o controle sobre a população européia.

5. A crise moral e doutrinária da Igreja Católica. Apesar dos conflitos internos e externos a Igreja tentava centralizar o poder em Roma, convergindo a atenção da Cristandade na construção da suntuosa Basílica de São Pedro. A simonia tornou-se a prática dominante entre os arrecadores de dinheiro para tamanho empreendimento arquitetônico. Vendia-se de tudo o que era identificado como "sacro", desde unhas, ossos, roupas, objetos de santos, dos apóstolos, e do próprio Cristo. Mas, a indulgência era o produto mais procurado para aquisição, pois, segundo o ensino católico, garantia o perdão dos pecados passados e futuros, bem como o alívio das almas presentes no purgatório. A imoralidade havia se alastrado em todas as áreas da Igreja e da sociedade.

6. O desenvolvimento do movimento Humanista nas universidades. Apesar da maioria da população ser controlada pela Igreja Romana, um grupo pensante questionava as incoerências doutrinárias e morais ensinadas pela Igreja Romana. O espírito pesquisador levou os humanistas a procurarem esclarecimento, não apenas nas respostas prontas da tradição católica, mas a retornarem ad fontes. O estudo dos textos clássicos impulsionaram estes pesquisadores a redescobrirem os antigos filósofos, os Pais da Igreja, mas principalmente, o estudo das Escrituras a partir dos originais hebraico e grego. Assim, descobriram que algumas das doutrinas centrais da fé católica derivaram a sua origem de uma má interpretação e tradução da Vulgata Latina, e de uma tradição distorcida.

O início da Reforma

Dentro deste contexto ocorre uma mudança na vida de Martinho Lutero. A conversão de Lutero aconteceu entre 1516-17, sobre a qual ele descreveu o seguinte: “embora eu vivesse irrepreensível como um monge, percebi que era um pecador diante de Deus, com uma consciência extremamente perturbada. Não conseguia crer que Ele estava satisfeito com a minha dedicação. Eu não o amava; sim, eu odiava o Deus justo que punia pecadores, e secretamente, se não de maneira blasfematória, certamente murmurando, estava com ódio de Deus... Finalmente, pela misericórdia de Deus, meditando dia e noite, dei ouvidos ao contexto das palavras: ‘A justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito, 'O justo viverá por fé'’ (Rm 1:17). Então, comecei a compreender que a justiça de Deus é aquela mediante a qual o justo vive por uma dádiva de Deus, ou seja, pela fé. E, é este o significado: a justiça de Deus é revelada pelo evangelho, a saber, a justiça passiva com a qual o Deus misericordioso nos justifica pela fé, segundo está escrito: ‘O justo viverá por fé’. Aqui, senti como se renascesse totalmente e entrasse no paraíso pelos portões abertos" (Preface to Writings on Latim, Luther's Works, vol. 34, pp. 336-37).

Houve muita controvérsia dentro da Igreja, por causa dos escritos de Martinho Lutero, porque muitos desejavam uma reforma moral, educacional, social, mas principalmente teológica. Com a excomunhão de Lutero, em 15 de Junho de 1520, ficou consumado a divisão entre reformadores e católicos. Com o reformador alemão outros adotaram o programa de reformar a Igreja e a sociedade, usando o princípio da sola Scriptura [somente a Escritura é fonte e autoridade final], como Ulrich Zuínglio, Felipe Melanchton, Martin Bucer e João Calvino. A Reforma expandiu-se da Alemanha e Suiça para todo o continente europeu.

Breve cronologia biográfica de Lutero

1483 - Nascimento de Lutero em Eisleben

1490 - Foi para a escola de Mansfeld

1497 - Mudou-se para a escola de Magdeburg

1498 - Mudou-se para a escola de São Jorge em Eisenach

1501 - Iniciou na Universidade de Erfurt

1505 - Tornou-se noviço agostiniano

1507 - É ordenado monge

1507 - Enviado para Universidade de Wittemberg por Johann von Staupitz

1510 - Ida à Roma

31/10/1517 - Escreve as 95 teses

1519 - Debate de Leipzig com Johann Eck

1520 - Recebe a bula papal Exsurge Domini decretando a sua exclusão

1521 - Dieta de Worms

1522 - Controvérsia com "os entusiastas" [profetas de Zwickau]

1524-1525 - Ocorre a revolta dos camponeses

1525 - Lutero rompe com os Humanistas [Erasmo de Rotterdam]

1529 - Debate com Zwinglio sobre a Ceia do Senhor

1530 - Escrita a Confissão de Augusburg por Felipe Melanchthon

1531 - União Esmalcada - defesa contra os princípes católicos

18/02/1546 - Lutero falece em Eisleben

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Igreja Reformada precisando de uma Reforma


Quase quinhentos anos depois, muitas coisas da concepção original (do projeto de reforma) mudaram... Inclusive, é possível perceber que uma coisa importante da época continua: A disposição mental maléfica no coração do ser humano... Em meu achômetro, o ser humano continua tão caído, quanto tenho certeza que DEUS continua sendo excessivamente bom... Entendo que ter um caráter de DEUS semelhante ao caráter de DEUS, deve continuar sendo o alvo a ser perseguido por cada ser humano, em cada lugar da terra... Pode parecer pretensão, mas, quando leio nas Sagradas Escrituras que DEUS enviou SEU filho JESUS CRISTO, para que além de conhecê–LO, pudéssemos ser semelhantes a JESUS, penso que o ser humano achando isso pouco, intentou algo que já dera errado: ser um pouco mais que DEUS... Não vejo de outra forma a venda de indulgências em nossos dias... Alguém poderia pensar que estou supondo... MAS, esse negócio de se encher de dívidas ou torrar dinheiro pra fazer caravanas pra conhecer os lugares onde CRISTO viveu... Esse negócio de vender em troca de ofertas, água do Rio Jordão ou uma porção de terra de Israel... Esse negócio de IDOLATRAR a terra santa ou coisas de lá, é a forma atual de indulgência... Entendo que, se faz necessário, uma volta urgente pra DEUS... Se faz necessário viver com fome e com sede da palavra e, mais que isso: andar com fome e com sede do DEUS vivo!!! Digamos como o profeta Oséias (que se fez boca de DEUS): O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento (Oséias 4:6); Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; Como a alva, a SUA vinda é certa; e ELE descerá sobre nós como a chuva, como a chuva serôdia (que vem tarde, fora de tempo) que rega a terra (Oséias 6:3).

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A Crocodilagem da Fé

A Crocodilagem da Fé
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Por Pr. Silas Figueira

Muitos líderes não tem nenhuma vergonha na cara de fazer chacota com as crises que as pessoas estão passando. Muitos se aproveitam desse momento de fragilidade, seja na área emocional, profissional, familiar, na saúde para brincar com a fé dessas pessoas e arrancar delas tudo o que elas tem. Primeiro lhes arranca o dinheiro, depois lhes arrancam a fé e por fim leva essas pessoas a total bancarrota espiritual.

Temos visto isso ocorrer em todos os seguimentos da igreja que se diz evangélica, mas que a muito tempo se tornou uma servidora fiel de Satanás. Líderes que sem nenhum pudor, sem nenhum temor manipulam a Palavra de Deus para se beneficiarem. São os Caifás modernos, são pessoas que se utilizam da religião para enriquecerem, são monstros cruéis, leviatãs camuflados de sacerdotes enganando o povo que anda cego em busca de um milagre. E é exatamente na crise, na fragilidade e da fragilidade humana que esses crocodilos se alimentam. Se alimentam da dor de uma mãe que está vendo seu filho indo para as drogas, que está vendo sua filha na prostituição, um pai de família desempregado e vendo dia após dia as contas de acumularem e o alimento se acabar no armário. Se aproveitam daquela esposa que está vendo seu casamento se acabar e lutando com todas as suas forças não vendo resultado o do seu esforço.

Esses crocodilos fantasiados de sacerdotes do Deus Vivo são instrumentos de Satanás vendendo os seus martelos poderosos, as suas meias milagrosas, as suas águas bentas que tudo purifica, o sal grosso, a arruda, a rosa, a toalha encharcada de suor e meleca do apóstolo. Como se diz por aí, crente não acredita em cartomante, mas adora uma revelagem, e o que mais vemos por aí são crentes buscando revelação. Esses Caifás modernos não poupam nem crianças ...

Mas tudo isso ocorre porque o brasileiro é um povo místico e imediatista, querem o milagre não importa de onde venha nem quanto custa. Vivem de campanha em campanha. Quem alimenta essa máfia de crocodilos são as próprias pessoas que as buscam ávidas por ver o milagre. Muitos, é bom lembrar, são levados como ovelhas para esses matadouros, são inocentes, mas outros já são crias antigas desse sistema viciante e não sabem ou não querem sair dessa roda viva em busca das migalhas alcançadas. Eu creio que muitos ali alcançam alguns benefícios, pois Satanás é ardiloso e nós conhecemos os seus desígnios e ardis. Alguns milagres são fabricados, outros ocorrem na mente de gente que desesperadamente quer ver alguma coisa acontecer, nem que seja na vida dos outros. É uma porta de emprego que se abre, é um namorado que se arranja, é uma bênção nessa ou naquela outra área que se alcança. Mas tudo isso não procede de Deus, pois Deus não tem compromisso com os que falam em seu nome aquilo que Ele não disse e nem prometeu.

O evangelho Puro e Simples, o Evangelho transformador que trás ao coração do homem esperança, alento, renova a fé e opera o maior milagre que pode ocorrer na vida de uma pessoa que é a salvação, esse tem sido esquecido ou muito pouco procurado e por causa disso alguns tem se vendido a esse mercado das campanhas, dos atos proféticos, das unções e jejuns de Daniel.

Estou escrevendo isso com um peso e uma grande tristeza no coração por ver pessoas inocentes sendo roubadas daquilo que é mais bonito na vida de uma pessoa o prazer de servir a Deus pelo o que Ele é e não pelo o que Ele dá e faz. Que o Senhor nos ajude a livrar das garras de Satanás essas pobres almas encarceradas do engodo da mentira.
Que o SENHOR seja conosco!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O Fracasso da "Psicologia Cristã"

O Fracasso da "Psicologia Cristã"
Enquanto isso, entretanto, a atitude reinante na igreja é a de ser, mais do que nunca, aberta à psicoterapia. Se a mídia cristã serve como barômetro para a igreja como um todo, uma mudança dramática está em andamento. Emissoras de rádio evangélicas, por exemplo, outrora fortalezas de ensinamentos bíblicos e música cristã, estão agora repletas de entrevistas, psicologia popular e psicoterapia por telefone. Pregar a Bíblia está fora de moda. Os psicólogos e os conselheiros que se utilizam das emissoras de rádio são os novos heróis do evangelicalismo. As emissoras de rádio evangélicas são a ferramenta de propaganda mais eficaz para a venda da psicologia — o que gera milhões de dólares em retorno para tais emissoras.

A igreja está, por assim dizer, ingerindo doses maciças do dogma da psicologia, adotando a "sabedoria" secular e tentando santificá-la, chamando-a de cristã. Os valores mais fundamentais do evangelicalismo, portanto, estão sendo redefinidos. "Saúde mental e emocional" é a nova moda. Não se trata de um conceito bíblico, embora muitos pareçam equalizá-lo com a integridade espiritual. O pecado recebe o nome de doença, de forma que as pessoas acham que precisam de terapia e não de arrependimento. O pecado habitual recebe o nome de vício ou de comportamento compulsivo, e muitos presumem que a solução está no cuidado médico e não na correção moral.

As terapias humanas são abraçadas com avidez pelos espiritualmente fracos, aqueles que são superficiais ou ignorantes no tocante à verdade bíblica e que não estão dispostos a aceitar o caminho do sofrimento que conduz à maturidade espiritual e a uma comunhão mais profunda com Deus. O infeliz efeito disso é que as pessoas permanecem imaturas, ficam presas a uma dependência auto-imposta, a algum método pseudo-cristão ou ao psico-charlatanismo que, em última análise, asfixia o crescimento genuíno.

Quanto mais a psicologia secular influencia a igreja, tanto mais o povo se afasta de uma perspectiva bíblica quanto a problemas e soluções. O terapeuta, com o seu aconselhamento individual, está substituindo a pregação da Palavra, o principal meio da graça de Deus (1 Co 1.21; Hb 4.12). O conselho que tais profissionais dispensam é freqüentemente desastroso. Há pouco tempo, ouvi consternado um psicólogo cristão que, no programa de rádio, aconselhava um ouvinte a expressar ira contra o seu terapeuta, através de gestos obcenos. "Vá em frente!", ele aconselhou. "Trata-se de uma honesta expressão de seus sentimentos. Não procure guardar ira em seu interior."

"E os meus amigos?", perguntou o ouvinte. "Será que eu devo reagir assim com todos eles, quando fico irado?"

"É claro que sim!", respondeu o conselheiro. "Você pode fazer isso a qualquer um, sempre que sentir vontade. Só não o faça àqueles que você acha que não o compreenderão; eles não seriam bons terapeutas para você." Isto é uma paráfrase. Eu tenho a fita cassete de todo o programa, e o que aquele conselheiro sugeriu foi bem mais explícito, a ponto de ser inadequado registrar aqui.

Naquela mesma semana, ouvi outro programa evangélico bastante popular, que oferece aconselhamento ao vivo para aqueles que telefonarem de qualquer parte do país. Uma mulher telefonou para relatar que, por anos, tivera problemas de fornicação compulsiva. Ela disse que ia para a cama com "qualquer um e com todos" e se sentia impotente para mudar o seu comportamento.

O conselheiro sugeriu que a forma de agir dela era sua maneira de revidar, um resultado das feridas impostas por um pai passivo e uma mãe autoritária. "Não existe um caminho simples para a recuperação", disse o rádio-terapeuta. "Seu problema não irá embora imediatamente; trata-se de um vício, e esse tipo de coisa requer aconselhamento prolongado. Você precisará de anos de terapia para vencer sua necessidade por sexo ilícito". Então, sugeriu que ela procurasse uma igreja que fosse tolerante, enquanto ela labutasse para sair daquelas "feridas dolorosas", que a estavam "fazendo" praticar a fornicação.

Que tipo de conselho é esse? Primeiramente, o conselheiro deu a ela permissão para adiar a obediência a um claro mandamento das Escrituras: "Fugi da impureza" (1 Co 6.18; 1 Ts 4.3). Em segundo lugar, ele culpou os pais dela e justificou a vingança dela contra eles. Em terceiro, parece ter sugerido que ela podia ir parando gradualmente com seu pecado, sob a alegação de terapia, é claro.

Além do mais, comunicou à sua audiência nacional a clara mensagem de que ele não tem qualquer confiança no poder do Espírito Santo para transformar imediatamente o coração e o comportamento de uma pessoa. Pior ainda, encorajou as igrejas a serem tolerantes com pecados sexuais até que a terapia comece a funcionar.

Contraste os conselhos emitidos por estes dois conselheiros com a profunda simplicidade de Gálatas 5.16: "Andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne". Será que realmente cremos que anos de terapia podem trazer uma pessoa ao ponto de andar no Espírito? É claro que não, se o terapeuta for alguém que recomenda gestos obcenos, arrependimento procrastinado e igrejas tolerantes com a imoralidade crônica! Não há justificativa bíblica para tal conselho; aliás, isso contradiz frontalmente a Palavra de Deus. O apóstolo Paulo disse à igreja em Corinto que entregasse o adúltero a Satanás, excluindo-o da igreja (1 Co 5.1-13).

Sou grato a Deus por homens e mulheres na igreja que dependem da Bíblia para aconselhar outros. Sou igualmente grato por conselheiros piedosos que insistentemente recomendam a oração às pessoas atribuladas e apontam, para tais pessoas, as Escrituras, Deus e a plenitude dos recursos dEle para cada necessidade.

Não tenho qualquer dificuldade com aqueles que usam o bom senso ou as ciências sociais como plataformas úteis a um observador da conduta humana e desenvolvem meios para dar assistência a pessoas que precisam obter controle externo de seu comportamento. Isso pode até ser um primeiro passo para se obter a verdadeira cura espiritual. Mas um conselheiro sábio reconhece que todo tipo de terapia behaviorista pára logo na superfície, ficando aquém das verdadeiras soluções para as reais necessidades da alma, que são satisfeitas somente em Cristo.

Por outro lado, eu não mostro qualquer tolerância para aqueles que exaltam a psicologia acima das Escrituras, da intercessão e da perfeita suficiência de nosso Deus. Não tenho qualquer palavra de encorajamento para as pessoas que desejam misturar psicologia aos recursos divinos, a fim de vender tal mistura como uma espécie de elixir espiritual. A metodologia de tais pessoas resume-se num reconhecimento tácito de que o que Deus nos deu, em Cristo, não é realmente adequado para satisfazer as nossas reais necessidades e curar nossas vidas atribuladas.

Deus mesmo não estima muito os conselheiros que reivindicam representá-Lo, mas que, na realidade, dependem de sabedoria humana. Jo 12.17-20, afirma:

Aos conselheiros, leva-os despojados do seu cargo [sinal de humilhação]
E aos juízes faz desvairar.
Dissolve a autoridade dos reis,
E uma corda lhes cinge os lombos.
Aos sacerdotes, leva-os despojados do seu cargo
E aos poderosos transtorna.
Aos eloqüentes ele tira a palavra
E tira o entendimento aos anciãos.

A sabedoria de Deus é tão vastamente superior à dos homens que os maiores conselheiros humanos tornam-se ridículos. Os versículos 24 e 25 acrescentam:

Tira o entendimento aos príncipes do povo da terra
E os faz vagear pelos desertos sem caminhos.
Nas trevas andam às apalpadelas, sem terem luz,
E os faz cambalear como ébrios.

Se houve alguém que teve de agüentar a insensatez de conselheiros humanos bem-intencionados, essa pessoa foi Jó. Os conselhos irrelevantes e inúteis, ouvidos por Jó, foram tão pesarosos quanto as aflições satânicas pelas quais ele passou.

O abismo ao qual a psicoterapia "santificada" pode descer é realmente profundo. Recentemente, um jornal local trouxe um artigo acerca de uma clínica, com 34 leitos, que foi aberta no sul da Califórnia, para tratar de "cristãos viciados em sexo". (A razão pela qual uma clínica desse tipo precisa de leitos me foge à compreensão.) De acordo com o artigo, a clínica está ligada a uma grande e conhecida igreja protestante da região. A equipe dessa clínica inclui especialistas que foram descritos como "verdadeiros pioneiros na área [de vício sexual]. Eles são todos psicoterapeutas legítimos, devidamente licenciados e que dispensam à terapia uma orientação fortemente cristã", assim informou o diretor da clínica.

Será que a orientação "cristã" deles é sólida o suficiente para permitir que os psicoterapeutas admitam que a lascívia é pecado? É evidente que não. Vários deles foram entrevistados para o artigo. Eles constantemente se referiram a essa questão como doença, conflito, comportamento compulsivo, tratamentos terapia. Palavras que tivessem implicações morais foram cuidadosamente evitadas. Pecado e arrependimento em ocasião alguma foram mencionados.

Pior ainda, estes chamados "especialistas" zombaram do poder da Palavra de Deus para transformar um coração e quebrar a escravidão ao pecado sexual. O artigo citou o diretor da programação da clínica, que explicou porque ele crê que seu centro de tratamento especificamente dirigido a cristãos é tão crucial: "Há alguns tipos de cristãos que crêem que a Bíblia é tudo que se precisa".

Essa afirmativa é um eco do neognosticismo. Ao menosprezar aqueles que crêem que a Bíblia é suficiente, essas "nuvens sem água" (Jd 12) insistem que são possuidores de um conheci-mento secreto, sofisticado e mais elevado, que detém a verdadeira resposta às angústias da alma humana. Não se deixem intimidar pelas falsas afirmações que eles fazem. Não há qualquer conhecimento mais elevado, não há qualquer verdade secreta, nada existe, além dos todo-suficientes recursos que encontramos em Cristo, capaz de mudar o coração humano.

Levar o aconselhado à suficiência de Cristo precisa ser visto como o alvo dos esforços de todo conselheiro que deseja honrar a Deus e ser eficaz em seu aconselhamento. A idéia de que o homem é capaz de resolver seus próprios problemas, ou que as pessoas podem ajudar-se mutuamente, através de "terapia" ou outros meios humanos, nega a doutrina da depravação total do homem e nega também sua necessidade de Deus. Ela substitui o poder transformador do Espírito pela impotente sabedoria humana.

John F. MacArthur Jr.
Em: Nossa Suficiência em Cristo, John MacArthur Jr., Editora Fiel.