quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Será que estou escandalizando?


Por - Igor Campos
"Você não deve falar de certas coisas neste lugar, vai causar escândalo!"
"Temos que deixar de fazer tudo que escandaliza os irmãos!"

Há tempos tenho ouvido frases como essas. A última me foi dita quase com furor há algumas semanas. É escândalo disto, escândalo daquilo. Parece que o vocabulário de algumas pessoas é resumido nessa palavra. Entretanto, muitos cristãos não tem conhecimento verdadeiro acerca do conceito de escândalo. Preocupa-me quando usam-no para descrever qualquer comportamento ou atitude que desagrade suas preferências pessoais ou em prol de um "bem estar social". Para entender melhor, é necessário estabelecer o que de fato é escândalo. E já cito de antemão duas postagens muito boas que auxiliaram  a construção deste texto: Escandalizar ou não escandalizar? Eis a questão! e Escândalo - pedra de tropeço no caminho.
Conceito
A palavra escândalo vem do grego skandalon, que é usada para traduzir duas palavras do hebraico: 
a)  michsol,  significa uma pedra de tropeço. Assim está em Levítico 19:14: “Não porás tropeço diante do cego.” 
b) mokesh, que  significa um laço ou armadilha. Declara-se em Josué 23:13 que as alianças com as nações estrangeiras são laços e redes.

A palavra escândalo, genericamente, é usada para substituir os termos "tropeço" e "cilada", embora ambas tenham um mesmo significado prático: uma ação deliberada para fazer com que alguém erre ou vacile.

Outros skandalon na Bíblia

Na explicação da parábola do joio em Mateus 13, nos versos 41 e 42 é dito: "Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade e os lançarão na fornalha acesa". Em Lucas 17:1-2 "Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vem! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos". Jesus deixa clara sua abominação pelo escândalo. Melhor é a morte que fazer com que outro tropece. No entanto, o próprio Cristo foi causador de escândalos. Novamente no evangelho de Mateus, no capítulo 15 lemos: "Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram? Ele, porém respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são cegos, guias de cegos.".

skandalon em I Coríntios 8

"No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus. Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ganharemos, se comermos. E assim, por causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais." (I Coríntios 4;8;11-12)
Há uma questão a ser tratada aqui antes de prosseguirmos. Em primeiro lugar, esse texto fala exclusivamente  acerca de alimentos sacrificados a ídolos. Comer carne num templo pagão era algo que hoje equivaleria a comer num restaurante, mas com o agravante de que muitos consideravam tais refeições como ato de idolatria. Embora não houvesse pecado em comer num templo pagão, o pecado surgia se o ato fosse feito deliberadamente como adoração pagã [1]. O cuidado aqui é com o cristão fraco, pelo qual Cristo morreu. Esse cristão deveria ser instruído sobre essas práticas e onde está a origem desse pecado. Não há no texto nenhuma orientação quanto aos ímpios. O problema começa quando os cristãos atuais pregam a abstenção total de práticas "erradas" de acordo com usos, costumes e tradições, para que não exista a possibilidade de sermos confundidos com não-crentes.

Um exemplo para chegamos ao ponto de tensão: para a maioria dos crentes, não é possível beber uma cerveja com os amigos e amar a Deus verdadeiramente. A pior parte é que ao invés de tentarmos corrigir essa cultura errada, preferimos nos calar e simplesmente abrir mão de tudo que não agrada aos crentes para não escandalizar. Lastimável!

Concluímos dessa forma que há duas formas de escândalo. A primeira é o skandalon propriamente dito, quando temos a intenção de fazer com que alguém tropece com alguma atitude nossa. Esse acontece quando pessoas que já conhecem Cristo continuam com suas vidas vazias, sem nenhuma ética e seus valores totalmente corrompidos. Essas atitudes afetam diretamente aqueles que são novos na fé, que vacilam por imitar tais práticas pecaminosas.

A segunda forma é o oposto, o skandalon provocado pela ação transformadora de Deus em nossas vidas, que nos faz viver de acordo com bases éticas e morais totalmente contrárias às do mundo. Esse é o escândalo que Cristo causou: uma quebra de falsos paradigmas. A palavra da cruz é loucura para os que perecem (I Coríntios 1:18) e Cristo é escândalo para os judeus e loucura para os gentios (I Coríntios 1:23).

Devemos viver uma vida de santidade de acordo com os princípios de Deus, para que não escandalizemos os novos convertidos. Qual o verdadeiro e necessário compromisso com os neófitos? Instrução! Caminhemos juntos, estudemos e aprendamos juntos, para esses não cairem em pecado por nossa causa.

Quanto aos ímpios, temos que escandalizá-los como Cristo o fez, com nossa moral e ética pautadas nas Santas Escrituras. Escandalizar também os novos fariseus combatendo o seu legalismo. Devemos nos preocupar é com os escândalos dos falsos pastores com suas teologias satânicas, os crentes na política que só envergonham o evangelho, e não com quem usa bermuda na igreja, pastor que prega sem usar terno, pessoas que usam piercings e tem tatuagens. Fazer isso não é nenhum ato de amor ou preocupação, mas um falso exercício de piedade contrário às Escrituras.

"Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz, como membros de um só corpo." Colossenses 3:15.

Referências:
[1] Bíblia de Estudo de Genebra

A coluna da Verdade


A coluna da Verdade
Escrevo-lhe estas coisas, embora espere ir vê-lo em breve; mas, se eu demorar, saiba como as pessoas devem comportar-se na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade. (1 Timóteo 3.14-15)
Paulo chama a igreja de “coluna e fundamento da verdade”. Isso nos diz, não o que a igreja deve ser, mas o que a igreja é. A importância dessa distinção se tornará mais clara depois, mas primeiro devemos considerar se as duas metáforas estão sujeitas a mau entendidos.
Alguns escritores preocupam-se que as metáforas “coluna” e “fundamento” podem dar às pessoas a impressão que a igreja é a própria fonte e base da verdade. Contudo, toda a Escritura testifica contra isso, e por isso eles estão interessados em expor o versículo de uma forma que evite a falsa interpretação.
Dessa forma é tido que a metáfora da “coluna” é feita no contexto da arquitetura antiga. Um templo pagão, por exemplo, pode incluir várias colunas de ornamento que servem não somente para sustentar a estrutura, mas para demonstrar a riqueza e glória associada com a divindade. Os escritores parecem mais preocupados com a metáfora do “fundamento”, e sugerem que uma tradução melhor seria “baluarte” ou “esteio”. Isto é, a igreja não é o próprio fundamento da verdade, mas apenas seu protetor.
O problema tem sido exagerado. Não somos católicos que tentam distorcer palavras e frases individuais da Escritura para justificar suas doutrinas inventadas por homens. Somos cristãos que respeitam o todo da Escritura, e leem palavras e frases individuais considerando o contexto de todo o santo livro. A Escritura é um produto da inspiração divina, de forma que palavras e frases individuais são de fato importantes, tanto que doutrinas inteiras podem depender delas; contudo, essas palavras e frases não permanecem sozinhas, e não mantém seus significados no vácuo. E muito menos estão sujeitas a interpretações arbitrárias impostas sobre elas.
O mesmo apóstolo que escreve que a igreja é a coluna da verdade também prega que Deus “não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo” (Atos 17.25). Quão tolo deve ser então uma pessoa pensar que a metáfora aqui poderia ser distorcida para significar que a igreja é o suporte da verdade no sentido que a verdade iria se desintegrar se não fosse a igreja. Algumas pessoas falam como se a apostasia dos homens pudesse frustrar o plano de Deus. Não, ela não pode. Eu estou certamente preocupado com o estado da igreja e do clima espiritual do mundo, mas somente como uma questão de zelo, e não por medo e terror quanto ao resultado final. A verdade permanecerá quer a igreja permaneça ou não. E a igreja permanecerá quer pareça haver muitos crentes fiéis ou não, visto que Cristo disse que iria edificá-la, e que nem mesmo o inferno prevaleceria contra ela. A metáfora refere-se a uma função da igreja, e não ao seu poder inerente. Não há lugar para má interpretação.
Quanto à ideia de fundamento, a palavra não sugere algo como uma fonte ou originador. O fundamento de uma construção não é o designer, o construtor ou o criador do edifício. É somente o local onde o edifício foi posto. Nem pode a metáfora sugerir que a igreja é o fundamento da verdade no sentido que o fundamento de um sistema intelectual consiste dos primeiros princípios a partir dos quais o restante do sistema é deduzido. Isso acontece porque a igreja em si não é nenhuma parte dos conteúdos de um sistema intelectual.
Se a metáfora fosse sugerir uma ideia como construtor ou criador, ou fonte, precisaríamos mais, quer do contexto imediato ou do pano de fundo da Escritura para forçar essa interpretação. Isso está algumas vezes presente quando a metáfora do “fundamento” é usada em outros lugares, mas o contexto e o pano de fundo impedem essa interpretação aqui. Paulo instrui os cristãos a se comportarem de uma maneira que sirva à verdade. Mas se a igreja produz a verdade, então o que a igreja produz é a verdade. Contudo, Paulo não define a verdade em termos da igreja, mas define a igreja em termos da verdade. A verdade foi revelada por Deus, e é fixa. Quer uma comunidade seja ou não a igreja depende de sua relação com a verdade.
Isso aborda uma das questões mais prementes que os cristãos devem considerar, e eles devem examinar suas comunidades à luz da resposta. O que a igreja deve ser? Há alguns que dizem: “O que é a verdade?” E sua resposta é: “Pergunte à igreja. A verdade é o que a igreja diz ser”. Essa não é a visão cristã. Antes, perguntamos: “O que é a igreja?”. E respondemos: “Deus nos revelou a verdade por meio da Escritura. A igreja é a comunidade que afirma essa verdade em comum, e que promove e protege essa verdade sobre Deus e Jesus Cristo”.

Segue-se que qualquer comunidade que falhe em afirmar, promover e proteger a verdade não é a igreja. Se ela cessa de suportar e demonstrar a verdade como uma coluna, e se não mantém reta e estável a verdade como um fundamento, então ela não é a igreja. A coluna e o fundamento da verdade não é o que a igreja deve ser, ou deve lutar para se tornar, mas sim o que a igreja é. Em outras palavras, se uma assembleia não é uma coluna e fundamento da verdade, ela não é uma igreja. Não importa o que faça – pode unir pessoas em amizades, pode se exceder em caridade, ou pode advogar a justiça social – ela não é uma comunidade cristã.
Considere dois exemplos. Há igrejas que se chamam assembleias cristãs, mas sua posição oficial nega a inerrância da Escritura, que a Bíblia é um produto da inspiração divina, de forma que é correta em cada detalhe e carrega autoridade absoluta. Essas congregações perderam todo o sentido de verdade. Não há nenhuma base para chamá-las de igrejas cristãs. Então, há algumas denominações que casam homossexuais, e ordenam formalmente alguns deles como pregadores. Essas organizações não funcionam como colunas da verdade, mas tentam redefinir a verdade afirmando algo contrário à verdade já revelada por Deus.
A Bíblia revela a verdade em proposições e doutrinas fixas, e define a igreja como aquela que funciona como sua coluna. Essas denominações revertem isso em seu pensamento e prática – sua suposição fixa é que eles são a igreja cristã, e a verdade é o que declaram ser, e que a verdade está sujeita à modificação à medida que as opiniões de homens mudam e se alteram. O pecado da homossexualidade é importante, e não podemos ignorar o fato que essas denominações o toleram. Mas a questão aqui é que sua política é somente um resultado de uma apostasia mais geral, um abandono anterior da fé, no fato deles já terem se afastado da verdade da revelação divina. E porque eles não são o promotor e protetor da verdade, mas antes tentam inventar suas próprias doutrinas de acordo com os sentimentos dos tempos, eles não são mais igrejas cristãs.
O que isso significa é que todos os cristãos deveriam denunciar essas denominações e congregações que adotam tal política, e eles deveriam ser considerados excomungados do reino de Cristo. Nenhum cristão deveria apoiar essas denominações e igrejas com parte de seu tempo, dinheiro ou boa vontade, e nenhum cristão deveria participar de suas reuniões como se estivessem frequentando cultos cristãos. Sem dúvida, podemos nos dirigir a esses grupos como assembleias não cristãs, chamando-os ao arrependimento e conversão por meio da fé em Jesus Cristo e o assentimento genuíno à verdade.
Eu endosso a ideia que deveríamos buscar a paz uns com os outros, e que nem toda divergência doutrinária deveria resultar num rompimento total. Contudo, existe uma tendência equivocada entre os cristãos de buscar a paz unindo-se ao redor de uma quantidade mínima de verdade. Mas desde quando a fé em Jesus Cristo é uma busca pelo mínimo? Antes, ela é uma proclamação de toda a revelação de Deus, a verdade inteira sobre Deus que ele revelou. Ela é uma busca pelo máximo, por um entendimento completo e por toda a plenitude de Deus.
Algumas vezes é sugerido que quando consideramos a legitimidade de uma igreja, deveríamos perguntar se ela transmite ou não pelo menos “o evangelho”, e mediante isso quer-se dizer o mínimo da verdade. Mesmo que o mínimo Cristianismo ainda seja Cristianismo, certamente não é bom Cristianismo, e é contrário ao espírito da fé apoiá-lo. Um cristão mínimo, se é que existe tal coisa, pode de fato ser um cristão, mas que ninguém o considere como um mestre! E uma igreja mínima, se é que existe tal coisa, pode de fato ser uma igreja, mas por que alguém deveria se unir a ela?
Fonte: Reflections on First Timothy

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Confie em Deus e não em estratégias humanas


Por  – C. H. Spurgeon
“Pois tive vergonha de pedir ao rei uma escolta de soldados, e cavaleiros para nos defenderem do inimigo pelo caminho, porquanto havíamos dito ao rei: A mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas o seu poder e a sua ira estão contra todos os que o deixam” Esdras  8:22
Uma escolta em muitos aspectos teria sido desejável para o grupo de viajantes, mas um santo sentimento de vergonha não permitiria que Esdras procurasse uma. Ele temia que o rei pagão pensasse que sua declaração de fé em Deus fosse mera hipocrisia, ou imaginasse que o Deus de Israel não fosse capaz de proteger Seus próprios adoradores.
Ele não poderia deixar sua mente confiar no braço da carne (ver II Cr. 32:8)  numa questão evidentemente do Senhor e, assim, a caravana inicia sua jornada sem proteção visível, guardada por Aquele que é a espada e o escudo de Seu povo. Receio que poucos crentes sintam este zelo santo por Deus; mesmo aqueles que de certa forma andam pela fé, ocasionalmente estragam o brilho de sua vida ao suplicar o auxílio dos homens.
Não existe maior bênção que não ter qualquer apoio ou suporte, a não ser ficar direto na Rocha Eterna, sustentado somente pelo Senhor. Buscariam os crentes doações para suas igrejas se eles se lembrassem que o Senhor é desonrado ao pedirem socorro a César? Como se o Senhor não pudesse suprir as necessidades de Sua própria causa!
Recorreríamos tão rapidamente à ajuda de amigos e familiares se nos lembrássemos que o Senhor é glorificado pela nossa confiança absoluta em Seu braço? Ó minh´alma, espera só em Deus. "Mas", alguém diz, "os meios não podem serem usados?" É claro que podem; mas nossos erros raramente consistem em sua negligência: na maior parte das vezes florescem da tolice de crer nos meios em vez de crer em Deus.
Poucos fogem, não confiando tanto na ajuda humana; no entanto, muitos pecam muito ao dar-lhe demasiada importância. Aprenda, querido leitor, a glorificar o Senhor por recusar valer-se dos meios, se, ao utilizá-los, vier a desonrar o nome do Senhor.
Fonte: C.H. Spurgeon
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sábado, 15 de setembro de 2012

A Reforma Protestante 1517


A Reforma Protestante 1517
A Reforma do Século XVI
Movimento restaurador.
Primariamente religiosa; dimensões políticas, econômicas e sociais.
Origem das igrejas históricas do protestantismo.
Quatro manifestações principais: luteranismo, calvinismo, anabatismo e anglicanismo
Causas
A situação da Igreja Católica medieval.
A insatisfação política e religiosa dos povos europeus. O nacionalismo emergente.
A ansiedade e insegurança provocadas pela espiritualidade vigente.
Preparação
Os pré-reformadores:
João Wyclif (c.1325-1384) e os lolardos.
João Hus (c.1372-1415) e os irmãos boêmios/morávios.
A tradução das Escrituras nas línguas locais.
A obra dos humanistas.
O Estopim da Reforma
A experiência religiosa de Lutero.
A eleição do sacro imperador  romano (Alemanha).
A escolha do arcebispo de Mainz (Alberto de Brandemburgo)
A venda das indulgências.
As Noventa e Cinco Teses.
1. A Reforma Luterana: Martinho Lutero
1483 - Nasce em Eisleben, leste da Alemanha, filho de Hans e Margaretha Luder.
Martinho Lutero
1505 - Ingressa no mosteiro agostiniano de Erfurt.
1512 - Torna-se professor da Universidade de Wittemberg.
1517 - 31 de outubro: convoca a comunidade acadêmica para um debate sobre as indulgências (as 95 Teses).
1519 - Em debate com João Eck, defende Hus e afirma que papas e concílios podem errar.
1520 - Bula Exsurge Domine dá-lhe 60 dias para retratar-se. É queimada em praça pública.
1520 - Escreve À Nobreza Cristã da Nação Alemã, O Cativeiro Babilônico da Igreja e A Liberdade do Cristão.
1521 - Bula de excomunhão: Decet Pontificem Romanum.
Lutero vai à Dieta de Worms: defende-se e é condenado.
Refugia-se no Castelo de Wartburg, onde começa a traduzir a Bíblia.
Luteranismo
Idéias de Lutero difundem-se na Alemanha e na Europa graças à imprensa.
1529 - Dieta de Spira: surge o nome “protestantes.”
1529 - Filipe de Hesse convoca o Colóquio de Marburg. Divergência entre luteranos e zuinglianos sobre a Ceia do Senhor.
Surgem igrejas nacionais luteranas na Suécia, Dinamarca, Noruega e Islândia.
Na Alemanha, ocorrem guerras entre católicos e luteranos, que cessam com a Paz de Augsburgo (1555).
Princípio: “cuius regio, eius religio.”
Houve novas guerras na primeira metade do século XVII, até a Paz de Westfália (1648).
2. A Reforma Calvinista
O segundo movimento de reforma surgiu na Suíça.
Seus primeiros líderes foram Ulrico Zuínglio (Zurique) e João Calvino (Genebra).
Esta segunda expressão histórica do protestantismo ficou conhecida como “movimento reformado.”
Ulrico Zuínglio
1484 - Nasce em Wildhaus.
1516 - Lê o Novo Testamento traduzido por Erasmo.
1518 - É nomeado sacerdote da catedral de Zurique. Torna-se afamado pregador bíblico.
1522 - Questiona o jejum da quaresma e o celibato clerical; abandona o sacerdócio e torna-se pastor evangélico.
Zuínglio
1523 - Início dos debates públicos em Zurique. Os Sessenta e Sete Artigos.
Zuínglio casa-se publicamente com Ana Reinhart.
1525 - As missas são abolidas em Zurique. Passa-se a celebrar a Ceia do Senhor. Surge o movimento anabatista.
1529 - Encontra-se com Lutero e outros líderes no Colóquio de Marburg.
1531 - Morre na segunda batalha de Kappel.
Movimento reformado difunde-se na Suíça e no sul da Alemanha.
Bullinger, sucessor de Zuínglio
Participantes do Colóquio de Marburgo
Martinho Lutero
Justus Jonas
Filipe Melanchton
André Osiander
Estêvão Agrícola
João Brentz
João Ecolampádio
Ulrico Zuínglio
Martin Butzer
Gaspar Hedio
João Calvino
Com a morte precoce de Zuínglio, o movimento reformado passou à liderança de João Calvino.
1509 - Calvino nasce em Noyon, no nordeste da França. Seus pais são Gérard Cauvin e Jeanne Le Franc.
1523 - Estuda e humanidades e teologia em Paris.
1528 - Estuda direito em Orléans e Bourges.
1531 - Retorna a Paris e retoma seus estudos humanísticos. Escreve um comentário do tratado de Sêneca “De Clementia.”
1533 - Converte-se e tem de fugir de Paris. Começa a escrever a sua obra magna.
1536 - Primeira edição da Instituição da Religião Cristã ou Institutas (Basiléia).
1536 - Deseja ir para Estrasburgo; Guilherme Farel convence-o a ficar em Genebra.
1538 - Devido a conflitos com as autoridades civis, ambos são expulsos.
1538-41 - Calvino passa três anos felizes em Estrasburgo:
Pastoreia uma igreja de refugiados franceses.
Participa de conferências com o reformador Martin Butzer.
Leciona na academia de João Sturm.
Casa-se com Idelette de Bure.
Escreve diversas obras.
1541 - Calvino retorna a Genebra; Escreve as Ordenanças Eclesiásticas. Enfrenta uma longa luta com os magistrados.
1559 - Torna-se cidadão de Genebra, funda a Academia e publica a última edição das Institutas.
1564 - Morre no dia 27 de maio.
Princípios calvinistas
A soberania de Deus na criação, providência e redenção.
O estudo sério e criterioso das Escrituras.
A importância da educação, para os pastores e os crentes em geral.
Governo representativo através de presbíteros e concílios.
3. A Reforma Anabatista
1522 - Grupo de jovens religiosos e humanistas reúne-se em torno de Zuínglio, em Zurique (os Irmãos Suíços).
1525 - Conflitos acerca do batismo infantil; primeiros batismos de adultos e primeira congregação anabatista.
Também conhecidos como reformadores radicais.
Anabatistas
1527 - União Fraternal reúne-se em Schleitheim e aprova uma Confissão de Fé escrita por Miguel Sattler.
Começa um período de intensas perseguições em diversas partes da Europa.
1534-36 - Extremistas criam uma teocracia em Munster e são destruídos.
1536 - Menno Simons torna-se líder dos anabatistas da Holanda. Fundador da Igreja Menonita.
1540 - Simons publica a obra Fundamento da Doutrina Cristã.
Princípios Anabatistas
Volta ao ideal da igreja primitiva.
Separação entre igreja e estado.
Batismo de adultos, por imersão.
Afastamento do mundo.
Fraternidade e igualdade.
Pacifismo: proibição de porte de armas e serviço militar.
Vida comunitária em colônias agrícolas.
4. A Reforma Anglicana
Ao contrário de outros países da Europa, na Inglaterra a Reforma foi introduzida pela ação direta de alguns reis.
1527 - Henrique VIII procura a anulação do seu casamento com Catarina de Aragão, mas o papa recusa-se a atendê-lo.
Henrique VIII
1533 - Um tribunal eclesiástico inglês declara nulo o casamento do rei.
1534 - O Ato de Supremacia reconhece o rei como “chefe supremo” da Igreja da Inglaterra.
1547 - Eduardo VI sucede o pai. Seus conselheiros são todos protestantes.
Eduardo VI e Maria I
1549 - Adotado o Livro de Oração Comum, escrito por Thomas Cranmer, Arcebispo de Cantuária.
1552 - Cranmer escreve os Quarenta e Dois Artigos (teologia calvinista).
1553 - Eduardo morre e sua irmã Maria Tudor sobe ao trono.
Maria I, a sanguinária
1555 - Muitos evangélicos são mortos ou exilados. Mártires mais famosos: Nicolau Ridley e Hugo Latimer.
1556 - Cranmer também é morto na fogueira.
1558 - Maria morre e é sucedida por sua irmã Elizabete.
Elizabete I
Elizabete tem um longo governo de 45 anos (1558-1603) e implanta definitivamente o protestantismo na Inglaterra.
O anglicanismo reúne elementos católicos (hierarquia, liturgia) e reformados (teologia).
Compõe-se da Igreja Alta e da Igreja Baixa (evangélica).
A Reforma Escocesa
A Reforma na Escócia é parte da Reforma Calvinista.
O líder que mais contribuiu para implantar o calvinismo na Escócia foi João Knox (c.1514-1572).
No continente europeu, as igrejas calvinistas foram chamadas de igrejas reformadas; na Escócia, igrejas presbiterianas.
O Presbiterianismo
No século XVII, os calvinistas ingleses e escoceses realizaram a Assembléia de Westminster.
Os escoceses-irlandeses levaram o presbiterianismo e os padrões de Westminster para os Estados Unidos.
Simonton, um descendente de escoceses, trouxe o presbiterianismo para o Brasil.
Princípios dos reformadores
A Escritura: única regra de fé e prática (sola Scriptura).
Cristo como único mediador (solo Christo).
Salvação pela graça, mediante a fé (sola gratia e sola fides).
Sacerdócio universal dos fiéis.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

SONHAR É PRECISO


SONHAR É PRECISO
Eu tive um sonho, um sonho desses que outros já sonharam e que parece não morrer nunca.  Sonhei que a igreja Reformada desses pais era menos egoísta e mais solidaria que havia engajamento com as questões sociais e que os nossos templos ociosos eram bem mais utilizados na semana na realização de projetos comunitários que visam resgatar a cidadania, promover inclusão social e combater as diversas formas de injustiça. Sonhei que o modelo de relacionamento comunitário da Trindade servia de modelo para as igrejas, pastores, lideres,  membros e congregados. Como conseqüência havia menos proselitismo, menos preocupação com o poder e mais preocupação com o caráter, mais humildade e menos vaidade, mais espiritualidade e menos ativismo religioso. Sonhei que o marketing e a publicidade davam lugar à oração e ao evangelismo pessoal, e que missão deixava de ser um tipo de status quo para ser simplesmente um compromisso de quem ama o Reino de Deus. Sonhei que desistíamos todos de submeter à igreja as leis de mercado por crermos simplesmente na eficácia do evangelho como suficiência de Deus no alicerce e transformação regeneradora dos pecadores moribundos. Sonhei que na igreja evangélica Reformada já não havia lugar para quem tenta massificar a fé, mercadejando o evangelho a preços promocionais inescrupulosos, ao mesmo tempo em que lucra com a valorização das “ações” do competitivo mercado religioso. Sonhei com o retorno da igreja as Escrituras numa caminhada gloriosa de redescoberta da espiritualidade bíblica, da missão integral, do relacionamento intimo com Deus, da sua vocação sublime, da ética e do testemunho de quem vive como sal da terra e luz do mundo.
Sonhei que nesse contexto de despertamento espiritual a IPB redescobria suas origens doutrinarias reformada, sua experiência missionária Calvinista, e seu fervor espiritual Cristocentrico. Sonhei que continuávamos construindo templos sem, no entanto, s m perdermos de vista que a prioridade da igreja é missões. Sonhei então que as nossas ofertas anual de missões deixavam de ser anual para ser mensal e que as nossas ofertas para missões superavam os alvos de construção. Sonhei que já não membros inadimplentes ou infiéis nessa matéria. Sonhei que os pastores apascentavam-se mutuamente, que havia mais humildade entre todos e que nos tornávamos ensináveis, corrigíveis e conscientes das nossas fraquezas e pecados. Sonhei que as nossas igrejas eram mais cooperativas, servindo com dedicação e santidade. Sonhei ainda que era possível canalizar nossas energias, recursos e talentos para fortalecer a missão em vez dos nossos pequenos guetos religiosos e espaços de poder.
Depois de sonhar com tudo isso, me dei conta de que na realidade eu não dormia, eu estava bem acordado, como bem acordado precisamos estar, a fim de que possamos construir uma nova página na nossa história de igreja que glorifique a Deus. Que o Senhor provoque em nós um inconformismo profundo nos nossos corações no anseio de vivenciarmos um novo tempo. Uma nova realidade.

No amor de Cristo,
Pb. João Batista de Lima

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Jesus, o Cristo que ressuscita mortos.


Texto: João 11.28-46.
Tema: Jesus, o Cristo que ressuscita mortos.
Por João Batista de Lima

Introdução: A Bíblia com toda sua revelação, narra nesta historia a tristeza, o sofrimento e a dor que foi causado pelo pecado. E mostra que Jesus estava indignado com o pecado. Mas, revela também um Deus amoroso que se compadeça dos homens pecadores e que dar-les a vida eterna.
 Para que você saiba que é possível estar fisicamente vivo e espiritualmente morto, você precisa discernir um fato: que o nível físico, o nível do Espírito (o nível da alma), para existirem não se faz necessária uma simultaneidade. Lazaro estava morto fisicamente, mas estava vivo espiritualmente.
Seu corpo morrera, mas Espírito não.
Vamos descobrir se você esta morto, ou vivo espiritualmente das seguintes formas.

I. Mortos não têm apetite. Os evangelhos ensinam que Maria e marta faziam quitutes saborosos (Lc 10). Todavia, posso garantir-lhes que, depois de quatro dias de putrefação; depois de envolto na sombria morte, não havia perfume de comida apetitosa que levantasse Lazaro daquela tumba simplesmente porque nada apetece aos mortos espiritualmente, mortos não tem apetite. É por isso que homens mortos espiritualmente não têm gosto pela Bíblia e sua leitura, não gostam de oração, não tem fome de Deus, é por causa dos benefícios que Deus pode dar. Não é a pessoa de Deus que os atrai, pois eles não têm apetite por Deus. Deus não é para ele o grande prazer da vida.

II. Mortos não têm ação. O que caracteriza a morte é a inércia mais profunda. Não tem ação espiritual, sua argumentação é que não tem tempo. Eles têm ação no nível físico porque criam tempo para suas atividades físicas, fazem cursinhos casam e se dão em casamento, fazem faculdade vão a acampamentos de férias, no nível físico não falta tempo, mas no nível espiritual, dizem não ter tempo. Mas não é falta de tempo, é falta ação. O motivo é que eles estão mortos espiritualmente.

III. Mortos não reagem ao amor. Primeiramente, ao amor de Deus, mortos não podem reagir ao amor de Deus. O texto diz que Jesus chorou, quando chegou a sepultura de Lazaro, ele o amava. Mas Lázaro não reagiu ao seu amor, suas lagrimas não o levantou, seu amor não o ergueu, simplesmente porque mortos não reagem ao amor de Deus.
É por isso que nós pregamos a cruz; falamos que alguém veio a este mundo e morreu por amor. Levou sobre si as nossas dores, a nossa vergonha. A angustia do homem que já experimentou de tudo e não conseguiu satisfação, absorveu as lepras as AIDS, as dores de todos os homens. Pagou o preço do meu resgate do inferno. A historia convergiu para ele.

IV. Mortos precisam ter um encontro com Jesus. Mortos precisam de ressurreição. A resposta de Jesus aos mortos espirituais é: Eu sou a ressurreição e a vida. Mortos precisam de vida. Mortos precisam de salvação, precisam sair do pó. Não é uma ressurreição sem fonte que acontece por acaso. É uma ressurreição que tem objetivo, uma fonte, uma origem, uma pessoa, alguém de onde ele emana. “eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim, ainda que morra vivera”. Jesus se comoveu com a situação de Lázaro, ele se comove quando vê o homem morto espiritualmente. Jesus se comove diante de um homem que esta como eu estava ou como você está, morto espiritualmente. O texto diz que Jesus chora por causa do homem morto porque Jesus o ama a ponto de dar a sua própria vida por ele. Jesus andou em direção ao morto e mandou que retirasse a pedra do tumulo. Há tantos sepulcros andantes em nossas ruas; tantos espíritos sepultados em corpos ambulantes, equal a entrada para sua interioridade? É o seu coração. Tire dele a pedra, a pedra do preconceito religioso. Você diz: eu não nasci nesta religião; tenho que morrer na minha! Mas eu estou convidando a vir a Jesus que da a você a vida espiritual. É preciso tirar a pedra do preconceito; de certos pecados que estão tapando, bloqueando o seu coração. A pedra da indiferença, da incredulidade, a pedra da carnalidade, da vaidade exagerada e da ambição. Tire a pedra! E escute Jesus te chamando para a vida eterna. Levante-se e desperte do sono espiritual, ouça Jesus a te convocar a sair da morte espiritual, como Lázaro você também pode ser ressuscitado por Jesus, venha seguir os passos de Jesus e ser feliz por toda a eternidade.

Conclusão: quando a luz de Jesus começar a entrar nessa caverna escura que é a sua alma, quando a voz de Jesus o despertar, ponha-se de pé: venha para fora! É a vida que te chama. Quem for ressuscitado por Jesus recebe a vida eterna. O ressuscitado necessita de viver livre, e foi para a liberdade que Cristo ti libertou. Ele convoca você para á salvação, para á liberdade, vá a Jesus hoje mesmo por meio da fé! Ele o convida para andar com ele, como Lázaro fez. Venha para fora!