terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Texto: João 11.28-46.
Tema: Jesus, o Cristo que ressuscita
mortos.
Pr. João Batista de Lima
Introdução: A Bíblia com toda sua revelação, narra nesta
historia a tristeza, o sofrimento e a dor que foi causado pelo pecado. E mostra
que Jesus estava indignado com o pecado. Mas, revela também um Deus amoroso que
se compadeça dos homens pecadores e que dar-les a vida eterna.
Para que você saiba
que é possível estar fisicamente vivo e espiritualmente morto, você precisa
discernir um fato: que o nível físico, o nível do Espírito (o nível da alma),
para existirem não se faz necessária uma simultaneidade. Lazaro estava morto
fisicamente, mas estava vivo espiritualmente.
Seu corpo morrera, mas Espírito não.
Vamos descobrir se você esta morto, ou vivo espiritualmente das
seguintes formas.
I. Mortos não têm apetite.
Os evangelhos ensinam que Maria e marta faziam quitutes
saborosos (Lc 10). Todavia, posso garantir-lhes que, depois de quatro dias de
putrefação; depois de envolto na sombria morte, não havia perfume de comida
apetitosa que levantasse Lazaro daquela tumba simplesmente porque nada apetece
aos mortos espiritualmente, mortos não tem apetite. É por isso que homens
mortos espiritualmente não têm gosto pela Bíblia e sua leitura, não gostam de
oração, não tem fome de Deus, é por causa dos benefícios que Deus pode dar. Não
é a pessoa de Deus que os atrai, pois eles não têm apetite por Deus. Deus não é
para ele o grande prazer da vida.
II. Mortos não têm ação. O
que caracteriza a morte é a inércia mais profunda. Não tem ação espiritual, sua
argumentação é que não tem tempo. Eles têm ação no nível físico porque criam
tempo para suas atividades físicas, fazem cursinhos casam e se dão em
casamento, fazem faculdade vão a acampamentos de férias, no nível físico não
falta tempo, mas no nível espiritual, dizem não ter tempo. Mas não é falta de
tempo, é falta ação. O motivo é que eles estão mortos espiritualmente.
III. Mortos não reagem ao amor.
Primeiramente, ao amor de Deus, mortos não podem reagir ao
amor de Deus. O texto diz que Jesus chorou, quando chegou a sepultura de
Lazaro, ele o amava. Mas Lázaro não reagiu ao seu amor, suas lagrimas não o
levantou, seu amor não o ergueu, simplesmente porque mortos não reagem ao amor
de Deus.
É por isso que nós pregamos a cruz; falamos que alguém veio
a este mundo e morreu por amor. Levou sobre si as nossas dores, a nossa
vergonha. A angustia do homem que já experimentou de tudo e não conseguiu
satisfação, absorveu as lepras as AIDS, as dores de todos os homens. Pagou o
preço do meu resgate do inferno. A historia convergiu para ele.
IV. Mortos precisam ter um encontro
com Jesus.
Mortos precisam de ressurreição. A resposta de Jesus aos
mortos espirituais é: Eu sou a ressurreição e a vida. Mortos precisam de vida.
Mortos precisam de salvação, precisam sair do pó. Não é uma ressurreição sem
fonte que acontece por acaso. É uma ressurreição que tem objetivo, uma fonte,
uma origem, uma pessoa, alguém de onde ele emana. “eu sou a ressurreição e a
vida, quem crê em mim, ainda que morra vivera”. Jesus se comoveu com a situação
de Lázaro, ele se comove quando vê o homem morto espiritualmente. Jesus se
comove diante de um homem que esta como eu estava ou como você está, morto
espiritualmente. O texto diz que Jesus chora por causa do homem morto porque
Jesus o ama a ponto de dar a sua própria vida por ele. Jesus andou em direção
ao morto e mandou que retirasse a pedra do tumulo. Há tantos sepulcros andantes
em nossas ruas; tantos espíritos sepultados em corpos ambulantes, equal a
entrada para sua interioridade? É o seu coração. Tire dele a pedra, a pedra do
preconceito religioso. Você diz: eu não nasci nesta religião; tenho que morrer
na minha! Mas eu estou convidando a vir a Jesus que da a você a vida
espiritual. É preciso tirar a pedra do preconceito; de certos pecados que estão
tapando, bloqueando o seu coração. A pedra da indiferença, da incredulidade, a
pedra da carnalidade, da vaidade exagerada e da ambição. Tire a pedra! E escute
Jesus te chamando para a vida eterna. Levante-se e desperte do sono espiritual,
ouça Jesus a te convocar a sair da morte espiritual, como Lázaro você também
pode ser ressuscitado por Jesus, venha seguir os passos de Jesus e ser feliz
por toda a eternidade.
Conclusão:
Quando a luz de Jesus começar a entrar nessa caverna escura
que é a sua alma, quando a voz de Jesus o despertar, ponha-se de pé: venha para
fora! É a vida que te chama. Quem for ressuscitado por Jesus recebe a vida
eterna. O ressuscitado necessita de viver livre, e foi para a liberdade que
Cristo ti libertou. Ele convoca você para á salvação, para á liberdade, vá a
Jesus hoje mesmo por meio da fé! Ele o convida para andar com ele, como Lázaro
fez. Venha para fora!
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Por J. I. Packer
“Você falou em redescobrir o evangelho”, diz nosso questionador, “e isso não significa apenas que você quer que todos nós nos tornemos calvinistas”?
Essa indagação presumivelmente gira não em torno da palavra calvinista, mas da coisa em si. Pouco importa se nos chamamos calvinistas ou não; o que importa é que compreendamos biblicamente o evangelho. Mas, isso, conforme pensamos, na realidade significa compreendê-lo conforme o tem feito o calvinismo histórico. A alternativa consiste em compreendê-lo mal e distorcê-lo. Dissemos antes que o evangelicalismo moderno, a grosso modo, tem deixado de pregar o evangelho à moda antiga; e francamente admitimos que o novo evangelho, naquilo em que se desvia do antigo, parece-nos ser uma distorção da mensagem da Bíblia. E agora podemos perceber o que tem sido erroneamente exposto. Nossa moeda teológica tem sido depreciada. Nossas mentes têm sido condicionadas a pensar sobre a cruz como uma redenção que faz menos do que redimir, e a pensar sobre Cristo como um salvador que faz menos do que salvar, e a pensar sobre a fé como a ajuda humana de que Deus necessita para cumprir os seus propósitos. Em resultado disso, não mais somos livres para acreditar no evangelho bíblico ou para anuncia-lo. Não podemos acreditar no mesmo, porque os nossos pensamentos são arrebatados nas circunvoluções do sinergismo. Somos perseguidos pela noção arminiana de que se a fé e a incredulidade tiverem de ser atos responsáveis, terão de ser atos exclusivamente humanos. E, daí deriva-se a ideia que não somos livres para crer que somos salvos inteiramente pela graça divina, através de uma fé que é dom de Deus e que chega até nós por meio do Calvário. Ao invés disso, ficamos envolvidos em uma estranha maneira de dúbio pensar, acerca da salvação, pois, em um momento, dizemos a nós mesmos, que tudo depende de Deus, para, no momento seguinte, dizermos que tudo depende de nós. A confusão mental daí resultante priva Deus de grande parte da glória que lhe deveríamos atribuir como autor e consumador da salvação, e a nós mesmos do consolo que poderíamos extrair do conhecimento daquilo que Deus fez por nós.
E então, quando passamos a pregar o evangelho, nossos falsos preconceitos nos fazem dizer exatamente o oposto daquilo que tencionávamos. Queremos (e com toda a razão) proclamar Cristo como nosso Salvador. Não obstante, terminamos dizendo que Cristo, após ter tornado possível a nossa salvação, deixou que fôssemos nossos próprios salvadores. E tudo termina dessa maneira. Queremos magnificar a graça salvadora de Deus, bem como o poder salvador de Cristo. E assim declaramos que o amor remidor de Deus abarca todos os homens, e que Cristo morreu para salvar todo homem, e proclamamos que a glória da misericórdia divina deve ser medida através desses fatos. Mas então, a fim de evitarmos o universalismo, somos forçados a depreciar tudo aquilo quanto vínhamos exaltando, passando a explicar que, afinal de contas, nada daquilo que Deus e Cristo fizeram pode salvar-nos, a menos que acrescentemos algo – o fator decisivo que realmente nos salva é o nosso próprio ato de crer. O que dizemos, portanto, resume-se nisto: Cristo salva-nos com a nossa ajuda. E o que isso significa, depois de passar pelo crivo de nosso raciocínio, é o seguinte: salvamo-nos a nós mesmos, com a ajuda de Cristo.
Esse é um anticlímax vazio de significado. Porém, se começarmos afirmando que Deus tem um amor salvífico para todos, e que Cristo morreu para salvar todos, ao mesmo tempo em que repudiamos tornarmo-nos universalistas, nada mais restará para dizermos. Portanto, sejamos claros sobre o que temos feito, após ter exposto a questão dessa maneira. Não temos exaltado a graça divina e nem a cruz de Cristo; antes, temo-las tornado baratas. Teremos limitado a expiação muito mais drasticamente do que o faz o calvinismo. Pois, ao passo que o calvinismo, assevera que a morte de Cristo salva a todos quantos foram predestinados para a salvação, teremos negado que a morte de Cristo, como tal, seja suficiente para salvar qualquer pessoa ímpios e impenitentes pecadores, ao assegurar-lhes que eles têm a capacidade de arrependerem-se a crer, embora Deus não possa dar-lhes essa capacidade. Talvez também tenhamos transformado em coisas triviais o arrependimento e a fé, a fim de tornar-se plausível essa certeza (“é tudo muito simples – apenas abra o seu coração para o Senhor…”). Por certo, teremos negado da maneira mais eficaz a soberania de Deus, além de havermos solapado a convicção básica da religião cristã – o fato que o homem está sempre nas mãos de Deus. Na verdade, teremos perdido muita coisa. Assim sendo, não admira que a nossa pregação tanto se ressinta de falta de reverência e humildade, e que os nossos professores convertidos mostrem-se tão autoconfiantes e tão deficientes quanto ao conhecimento de si mesmos, bem como nas boas obras que as Escrituras consideram fruto do verdadeiro arrependimento.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Impacto Evangelistico
A visão é que através destes eventos a igreja possa cumprir seu papel profético-evangelístico de manifestar a multiforme sabedoria de Deus aos principados e potestades.
A visão focaliza mais a semeadura do que a colheita. Também valoriza as diferenças denominacionais viabilizando não apenas uma unidade passiva, mas ativa do corpo de Cristo. Encoraja e discipula as igrejas locais a ganharem a sua cidade para Cristo.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Ellen White e a doutrina monstruosa.
Por Clóvis Gonçalves
No livro O Grande Conflito, existe uma declaração que
Leandro Quadros considera a síntese do pensamento de Ellen White sobre a
predestinação calvinista. Ei-la:
Estas monstruosas doutrinas são essencialmente as mesmas
que o ensino posterior dos educadores e teólogos populares, de que não há lei
divina imutável como norma do que é reto, mas que o padrão da moralidade é
indicado pela própria sociedade, e tem estado constantemente sujeito a mudança.
Todas estas idéias são inspiradas pelo mesmo espírito superior, sim, por aquele
que mesmo entre os habitantes celestiais, sem pecado, iniciou sua obra de
procurar derruir as justas restrições da lei de Deus.
Sai daí a base de Quadros para afirmar que a doutrina
calvinista é satânica. Essa afirmação encontra-se no capítulo 14, o mesmo em
que White menciona com aprovação o nome e as doutrinas de eminentes
predestinistas, entre os quais Martinho Lutero, Ulrich Zwinglio, John Knox,
John Bunyan, Richard Baxter, John Flavel, Joseph Alleine e George Whitefield: “O
grande princípio mantido por aqueles reformadores... foi a autoridade infalível
das Escrituras Sagradas como regra de fé e prática... A Bíblia era a sua
autoridade, e por seus ensinos provavam todas as doutrinas e reivindicações”,
disse ela sobre todos eles. Soa incoerente ela em seguida classificar a
predestinação, juntamente com o antinomianismo, como “monstruosas
doutrinas”, inspiradas por Lúcifer? Soa, mas coerência não é a
característica principal dos adventistas.
No entanto, há um fato desconhecido por muitos adventistas:
a declaração não é da pena de Ellen White. Trata-se de uma alteração feita W.
W. Prescott na edição de 1911 do Grande Conflito. Surpreso pelo espírito de
profecia precisar ser revisado e corrigido? Mas foi, aqui e em outros 105
pontos, apenas nessa edição da obra. O que White escreveu, e que consta na
edição de 1888, é: "Esta monstruosa doutrina é essencialmente a
mesma coisa que a alegação dos romanistas, de que ‘o Papa pode dispensar acima
da lei, e do errado fazer certo, pela correção e mudança nas leis”, e que ‘ele
pode pronunciar sentenças e julgamentos em contradição... com a lei de Deus e
dos homens’”. O filho de Ellen White questionou Prescott sobre a alteração
e este a justificou dizendo que a afirmação da senhora White estava errada e
que os adventistas se veriam em dificuldades se alguém pedisse a fonte da
declaração.
Além do todo da redação ter sido alterado, na versão
original, “monstruosa doutrina” está no singular e se refere ao antinomismo
apenas e não ao calvinismo conjuntamente. A autora compara “esta monstruosa
doutrina” com a revindicação romanista de que o Papa pode mudar as leis de Deus
e dos homens, dizendo em seguida que “ambas revelam a inspiração” do Diabo. O
singular, a referência ao romanismo e a palavra “ambas” tornam gramaticalmente
impossível inserir ali a “predestinação calvinista”, como faz
Leandro Quadros. São dois pontos a se ter em conta: as palavras não são de
Ellen White e ela não fez referência direta ou indireta à doutrina da
predestinação, mas unicamente ao antinomianismo e ao romanismo.
Seja como for, o fato é que Ellen White está trabalhando
sobre declarações que não são, de forma alguma, expressões da doutrina da
predestinação conforme entendida pelos calvinistas. Prova isso a própria fonte
utilizada por ela, a Cyclopaedia of Biblical, theological, and ecclesiastical
literature, de John McClintock e James Strong. Esta obra atribui a origem
moderna do antinomianismo a John Agricola, um dos primeiros cooperadores de
Lutero. Compreendendo erradamente algumas palavras de Lutero e Melâncton sobre
a justificação sem as obras da lei, Agricola apregoou a doutrina antinomiana e
foi por isso repreendido severamente por Lutero, não uma mas várias vezes, até
que admitiu publicamente seu erro e se reconciliou com Lutero. Desnecessário
dizer que Lutero era mais predestinista que Calvino e combateu duramente a
teoria do livre-arbítrio, veja-se seu Nascido Escravo para confirmar.
Segundo a mesma obra, o antinomianismo foi defendido nos
dias de Oliver Cromwell por um tal John Saltmarsh, que entre outras coisas
defendia o universalismo e a justificação eterna, ou seja, que os eleitos eram
justificados antes mesmo de nascerem, daí sua declaração de que “as
ações ímpias que cometem não são realmente pecaminosas, nem devem considerar-se
como violação da lei divina por parte deles, e que em conseqüência não têm
motivo quer para confessar os pecados, quer para com os mesmos romper pelo
arrependimento”, mencionada por White. Saltmarsh foi combatido por Samuel
Rutherford, calvinista escocês que participou da Assembleia de Westminster.
Mais tarde, o também calvinista Richard Baxter iria refutar seus ensinos.
Ao lado de Saltmarsh, os principais antinomianos da época
foram Crisp, Richardson, Hussey, Eaton e Town, segundo os mesmos McClintock e
Strong. E estes foram atacados e refutados com sucesso pelos calvinistas Thomas
Gataker, Andrew Fuller, Richard Baxter e, principalmente, por Daniel Williams,
além de outros. Embora escrita por teólogos de orientação wesleyana, a obra é
cuidadosa em distinguir entre hiper-calvinismo e antinomianismo de um lado e o
calvinismo dos reformadores de outro. Em nenhum lugar a obra referenciada
menciona o calvinismo como responsável pelo antinomianismo, portanto, se White
pretendeu dar essa impressão, agiu de má fé, se não foi o caso, seus
intérpretes é que a compreendem equivocadamente ou a distorcem deliberadamente
no calor do debate.
Creio que as palavras de Charles Spurgeon, extraídas de um
sermão pregado em 1859, deixam clara a posição calvinista conforme definida em
Wesminster e Dort: “Quantos danos tem sido causados às almas dos homens
por homens que só tem pregado uma parte, e não todo o conselho de Deus! Meu
coração sangra por muitas famílias sobre as quais a doutrina antinomiana
conquistou domínio... Não posso imaginar instrumento mais apto, nas mãos de
satanás, para arruinar almas do que o ministro que diz aos pecadores que não é
dever deles arrepender-se de seus pecados ou crer em Cristo”. Em seu The
History of Dissenters, no qual retrata a época referida, James Bennett diz que
o antinomianismo “não resulta do genuíno calvinismo”, como aquele que
“era familiar aos escritos e práticas dos grandes reformadores”, mas do “erro
que tem sido enxertado por aqueles que são mais ansiosos para abraçar certas
partes do que estudar para entender o todo”.
Em seu texto, Leandro Quadro menciona outras citações feitas
por Ellen White no Grande Conflito, recorrendo a John Wesley. A obra de John
Wesley não tão fácil de se analisar e cada citação deve ser analisada em sua
ordem no tempo, além do contexto em que foi feito. Demanda tempo e requer
espaço, ambos me faltam no momento, a Providência dirá se os terei no futuro.
Por ora, basta-nos concluir que a citação feita por Leandro Quadro como sendo
da senhora White e contra o calvinismo não é nem uma coisa, nem outra.
Soli Deo Gloria
Fonte: Cinco Solas
quinta-feira, 14 de março de 2013
Orgulho Espiritual Oculto - por Jonathan Edwards (1703–1758)
A primeira e a pior causa de erro que prevalece nos nossos
dias é o orgulho espiritual. Essa é a principal porta que o diabo usa para
entrar nos corações daqueles que têm zelo pelo avanço da causa de Cristo. É a
principal via de entrada de fumaça venenosa que vem do abismo para escurecer a
mente e desviar o juízo. É o meio que Satanás usa para controlar cristãos e
obstruir uma obra de Deus. Até que essa doença seja curada, em vão se aplicarão
remédios para resolver quaisquer outras enfermidades.
O orgulho é muito mais difícil de ser discernido do que
qualquer outra fonte de corrupção porque, por sua própria natureza, leva a
pessoa a ter um conceito alto demais de si própria. É alguma surpresa, então,
verificar que a pessoa que pensa de si acima do que deve está totalmente
inconsciente desse fato? Ela pensa, pelo contrário, que a opinião que tem de si
está bem fundamentada e que, portanto, não é um conceito elevado demais. Como
resultado, não existe outro assunto no qual o coração esteja mais enganado e
mais difícil de ser sondado. A própria natureza do orgulho é criar
autoconfiança e expulsar qualquer suspeita de mal em relação a si próprio.
O orgulho toma muitas formas e manifestações e envolve o
coração como as camadas de uma cebola – ao se arrancar uma camada, existe outra
por baixo dela. Por isto, precisamos ter a maior vigilância imaginável sobre
nossos corações com respeito a essa questão e clamar àquele que sonda as
profundezas do coração para que nos auxilie. Quem confia em seu próprio coração
é insensato.
Como o orgulho espiritual é mascarado por natureza,
geralmente não pode ser detectado por intuição imediata como aquilo que é
mesmo. É mais fácil ser identificado por seus frutos e efeitos, alguns dos
quais quero mencionar junto com os frutos opostos da humildade cristã.
A pessoa espiritualmente orgulhosa sente que já está cheia
de luz, não necessitando assim de instrução. Assim, terá a tendência de
prontamente rejeitar a oferta de ajuda nesse sentido. Por outro lado, a pessoa
humilde é como uma pequena criança que facilmente recebe instrução. É cautelosa
no seu conceito de si mesma, sensível à sua grande facilidade em se desviar. Se
alguém lhe sugere que está, de fato, saindo do caminho reto, mostra pronta
disposição em examinar a questão e ouvir as advertências.
As pessoas orgulhosas tendem a falar dos pecados dos outros:
o terrível engano dos hipócritas, a falta de vida daqueles irmãos que têm
amargura, a resistência de alguns crentes à santidade. A pura humildade cristã,
porém, se cala sobre os pecados dos outros ou, no máximo, fala a respeito deles
com tristeza e compaixão. A pessoa espiritualmente orgulhosa critica os outros
cristãos por sua falta de crescimento na graça, enquanto o crente humilde vê
tanta maldade em seu próprio coração, e se preocupa tanto com isso, que não tem
muita atenção para dar aos corações dos outros. Queixa-se mais de si próprio e
da sua própria frieza espiritual; sua esperança genuína é que todos os outros
tenham mais amor e gratidão a Deus do que ele.
As pessoas espiritualmente orgulhosas falam freqüentemente
de quase tudo que percebem nos outros em termos extremamente severos e ásperos.
É comum dizerem que a opinião, conduta ou atitude de outra pessoa é do diabo ou
do inferno. Muitas vezes, sua crítica é direcionada não só a pessoas ímpias,
mas a verdadeiros filhos de Deus e a pessoas que são seus superiores. Os
humildes, entretanto, mesmo quando recebem extraordinárias descobertas da
glória de Deus, sentem-se esmagados pela sua própria indignidade e impureza.
Suas exortações a outros cristãos são transmitidas de forma amorosa e humilde
e, ao lidar com seus irmãos e companheiros, eles procuram tratá-los com a mesma
humildade e mansidão com que Cristo, que está infinitamente superior a eles, os
trata.
O orgulho espiritual comumente leva as pessoas a se
comportarem de modo diferente na sua aparência exterior, a assumirem um jeito
diferente de falar, de se expressar ou de agir. Por outro lado, o cristão
humilde – mesmo sendo firme no seu dever, permanecendo sozinho no caminho do
céu ainda que o mundo inteiro o abandone – não sente prazer em ser diferente só
para ser diferente. Não procura se colocar numa posição onde possa ser visto e
observado como uma pessoa distinta ou especial; muito pelo contrário, dispõe-se
a ser todas as coisas a todas as pessoas, a ceder aos outros, a se adaptar aos
outros e a agradá-los em tudo menos no pecado.
Pessoas orgulhosas dão muita atenção a oposição e a
injúrias; tendem a falar dessas coisas freqüentemente com um ar de amargura ou
desprezo. A humildade cristã, em contraste, leva a pessoa a ser mais semelhante
ao seu bendito Senhor, o qual, quando foi maltratado não abriu sua boca, mas se
entregou em silêncio àquele que julga retamente. Para o cristão humilde, quanto
mais clamoroso e furioso o mundo se manifestar contra ele, mais silencioso e
quieto ficará, com exceção de quando estiver no seu quarto de oração: lá ele
não ficará calado.
Um outro padrão de pessoas espiritualmente orgulhosas é
comportar-se de forma a torná-las o foco de atenção. É natural que a pessoa sob
a influência do orgulho tome todo o respeito que lhe é oferecido. Se outros
demonstram disposição de se submeterem a ela e a cederem em deferência a ela,
esta pessoa receberá tais atitudes sem constrangimento. Na verdade, ela se
habituou a esperar tal tratamento e a formar uma má opinião de quem não lhe
oferece aquilo que pensa merecer.
Uma pessoa sob a influência de orgulho espiritual tende mais
a instruir aos outros do que a fazer perguntas. Tal pessoa naturalmente assume
ar de mestre. O cristão eminentemente humilde pensa que precisa de ajuda de
todo o mundo, enquanto a pessoa espiritualmente orgulhosa acha que todos
precisam do que ela tem para oferecer. A humildade cristã, sentindo o peso da
miséria dos outros, suplica e implora; o orgulho espiritual, em contraste, ordena
e adverte com autoridade.
Assim como o orgulho espiritual leva as pessoas a assumirem
muita coisa para si mesmas, de forma semelhante as induz a tratar os outros com
negligência. Por outro lado, a pura humildade cristã traz a disposição de
honrar a todas as pessoas. Entrar em contendas a respeito do cristianismo por
vezes é desaconselhável; no entanto, devemos tomar muito cuidado para não nos
recusarmos a discutir com pessoas carnais por as acharmos indignas de nossa
consideração. Pelo contrário, devemos condescender a pessoas carnais da mesma
forma como Cristo condescendeu a nós – a fim de estar presente conosco na nossa
indocilidade e estupidez.
- por Jonathan Edwards (1703–1758)
Fonte: Monergismo
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Resenha – Em defesa da fé
por - Alderi Souza de Matos
|
STROBEL, Lee. Em defesa da fé. Trad. Alderi S. Matos. São
Paulo: Editora Vida, 2002. 363 p.
Um dos maiores desafios enfrentados pelos cristãos é a
existência de certas questões espinhosas levantadas pelos céticos que parecem
pôr em cheque algumas afirmações centrais da fé cristã. Isto vem acontecendo
desde os primeiros tempos da igreja, como comprovam tanto os documentos do Novo
Testamento quanto os escritos dos apologistas e polemistas, os defensores
intelectuais do cristianismo no 2º e no 3º séculos. O mundo contemporâneo,
secularizado e pluralista, herdeiro do iluminismo e do racionalismo, continua a
fazer formidáveis questionamentos à fé cristã, questionamentos esses que são um
obstáculo para muitos descrentes e uma fonte de incertezas para um grande
número de cristãos. Essas objeções concentram-se em torno de questões como a
fidedignidade da Bíblia, a veracidade das alegações cristãs, bem como a
natureza e o caráter de Deus.
O jornalista e pastor norte-americano Lee Strobel, residente
em Orange County, Califórnia, resolveu examinar especificamente a questão da fé
e da dúvida diante das dificuldades intelectuais e teológicas levantadas pelos
críticos do cristianismo. Ele identificou oito dessas objeções mais
contundentes e entrevistou um igual número de especialistas cristãos no sentido
de respondê-las de maneira relevante para o homem moderno. Com esse livro,
Strobel dá continuidade a uma série de obras apologéticas que começou com Em
Defesa de Cristo (também publicado pela Editora Vida).
O ponto de partida de Strobel é a história de Charles
Templeton, um jornalista que se converteu, abraçou o ministério pastoral e
tornou-se companheiro de Billy Graham em suas primeiras campanhas
evangelísticas. Pouco depois, no entanto, Templeton foi vencido pela
incredulidade e abandonou as suas convicções cristãs. Eventualmente, escreveu
um livro sobre suas experiências, intitulado Despedindo-se de Deus: Minhas
razões para rejeitar a fé cristã. Ao ser entrevistado por Strobel, o
ex-pregador afirmou que o fato específico que o levou a perder a fé em Deus foi
uma fotografia publicada na revista Life. Nessa foto, tirada durante uma seca
devastadora, uma mulher africana segurava nos braços o filhinho morto e olhava
para o alto com uma expressão de desalento. Templeton disse que a partir
daquele momento ficou difícil acreditar em um Deus amoroso e misericordioso.
Os “oito grandes” enigmas examinados por Strobel são os
seguintes: (1) a existência de um Deus de amor diante da realidade da dor e do
sofrimento; (2) a crença em milagres em face dos postulados da ciência; (3) o
conflito entre as perspectivas da criação e da evolução; (4) o caráter de Deus
à luz de passagens bíblicas em que é ordenada a morte de crianças; (5) a
dificuldade de aceitar que Jesus é o único caminho para Deus quando milhões de
pessoas nunca ouviram falar dele; (6) o problema do amor de Deus diante da
realidade do inferno; (7) a violência e os erros da igreja cristã ao longo dos
séculos; e (8) as dificuldades daqueles que crêem, mas ainda têm algumas
dúvidas.
Os entrevistados foram, respectivamente, o filósofo católico
Peter John Kreeft, o apologeta e filósofo William Lane Craig, o cientista
texano Walter L. Bradley, o apologeta e escritor Norman L. Geisler, o
conferencista indiano Ravi Zacharias, o filósofo J.P. Moreland, o historiador
John D. Woodbridge e o pastor e líder cristão Lynn Anderson. Todos são
professores e autores bem-conhecidos nos círculos evangélicos norte-americanos.
Seis deles têm grau de Ph.D., em diferentes áreas.
Como Strobel declara, a partir da sua experiência pessoal
como ex-ateu, os problemas que o interessam são as objeções não somente
racionais, mas emocionais, que as pessoas levantam contra a fé, contra o
próprio ato de crer. Muitas dessas pessoas chegam a ver certos aspectos
atraentes no cristianismo, mas não conseguem transpor algumas barreiras que as
impedem de crer. A abordagem é interessante e acessível, devido ao estilo
jornalístico do autor e ao bom uso da técnica de entrevistas. Ao mesmo tempo, o
livro não deixa de ser profundo e instigante, em virtude do calibre dos
entrevistados, quase todos estudiosos há longo tempo dos temas que lhes foram
propostos. Cada capítulo termina com uma série de perguntas para reflexão
adicional e estudo em grupo.
A primeira objeção abordada, a questão do mal e do
sofrimento, é reconhecidamente uma das mais difíceis de responder. O entrevistado
argumenta que o poder, a onisciência e a bondade de Deus não conflitam com a
existência do mal. Este não é de modo algum resultado da ação divina, mas
decorre de escolhas humanas, do livre arbítrio. Não haveria verdadeira
liberdade no ser humano sem a possibilidade de escolha do mal. Isso levanta uma
pergunta, que deixa de ser respondida: E na eternidade, onde não mais existirá
a possibilidade do mal, as pessoas não serão livres? Ao abordar a segunda
objeção, a questão dos milagres, o entrevistado traça uma distinção
interessante entre os milagres atribuídos a Cristo pelos evangelhos e aqueles
atribuídos a Maomé pela tradição islâmica (Hadith), não pelo Alcorão. A questão
mais central no que diz respeito aos milagres é a da própria existência de
Deus, defendida com cinco argumentos: Deus dá sentido à origem do universo, à
complexidade do universo, aos valores morais objetivos e à ressurreição, e pode
ser experimentado imediatamente.
O capítulo sobre criação e evolução talvez seja o melhor de
todo o livro. Um respeitado cientista, autor de muitos livros e artigos sobre o
assunto, aborda com argumentos bastante pertinentes um elemento crucial que a
teoria da evolução e a ciência em geral até hoje não puderam explicar – a
origem da vida. As seis principais teorias sobre a chamada “evolução
pré-biológica” são rebatidas de modo convincente, ao mesmo tempo em que se
demonstra a única opção possível: a explicação teísta. O capítulo seguinte
aborda a difícil questão das crueldades atribuídas a Deus no Antigo Testamento,
o que levanta sérias indagações acerca do caráter divino. Vale lembrar que
essas preocupações existiram desde a Antigüidade, como atestam os
questionamentos de Márcion, no segundo século, e a predileção pelo método
alegórico de interpretação bíblica, tanto pelos judeus (Filo) como pelos
cristãos. Ainda que muitas histórias chocantes do Antigo Testamento não
impliquem em aprovação das ações descritas, mesmo assim existem diversas
passagens inquietantes, tais como 1 Samuel 15.3 e 2 Reis 2.23-24. A questão
mais profunda em jogo é a própria confiabilidade da Bíblia, a base para se
avaliar o caráter de Deus. São apresentados dois argumentos em prol dessa
fidedignidade: a confirmação pela arqueologia e as evidências de origem divina,
tais como as profecias e os milagres.
A quinta objeção diz respeito às alegações de exclusividade
e superioridade feitas pelo cristianismo em relação às outras religiões. Ravi
Zacharias, um indiano radicado nos Estados Unidos, lembra que outras religiões
mundiais fazem a mesma reivindicação. Ele argumenta sobre a importância da
ressurreição como atestado da divindade de Cristo, que é negada pelas outras
religiões. Só o cristianismo responde de maneira plenamente satisfatória quatro
questões fundamentais que toda religião procura elucidar: origem, significado,
moralidade e destino. Quanto à questão daqueles que não ouviram de Cristo, o
entrevistado levanta algumas possibilidades interessantes com base em passagens
como Atos 17.26-27 e Romanos 1.20 e 2.14-15. O próximo tópico, a existência do
inferno, possivelmente seja o mais difícil de todos. Segundo C. S. Lewis, “é
uma das principais razões pelas quais o cristianismo é atacado como algo
bárbaro e a bondade de Deus é impugnada” (O Problema do Sofrimento). O
entrevistado responde a nove objeções referentes a aspectos da doutrina do
inferno que parecem violar o senso humano de justiça.
A sétima objeção respondida tem a ver com as manifestações
de opressão e violência na história da igreja cristã. Como grandes manchas na
história do cristianismo, são citadas as Cruzadas, a Inquisição, os julgamentos
de feitiçaria em Salem (EUA), a exploração de nativos por parte de missionários
e o anti-semitismo. Exemplos adicionais são a opressão da mulher e a
escravidão. O entrevistado observa que tais práticas, certamente lamentáveis,
não depõem contra o cristianismo em si, mas são um atestado da incoerência de
muitos cristãos. O espírito do cristianismo aponta na direção oposta e tem dado
grandes contribuições à humanidade. O último capítulo do livro analisa a
questão da dúvida religiosa, suas raízes e diferentes manifestações. A fé e a
dúvida são coisas que podem coexistir. A dúvida pode ter um papel positivo,
quando leva a fé a tornar-se mais consciente, mais madura. Na conclusão, o autor
destaca a importância de se considerar o conjunto das evidências a favor da fé
cristã, ao invés de ficar preso a uma ou outra objeção isolada.
Em Defesa da Fé é um livro valioso sobre um assunto deveras
importante. Os diversos erros de revisão felizmente não prejudicam o
entendimento da argumentação. Em certos pontos os argumentos parecem forçados e
certamente só serão aceitos por quem já crê de antemão. Todavia, existe muito
material de grande valor apologético, vazado em linguagem atraente e acessível.
Talvez o maior senão do livro seja a sua ênfase arminiana na fé como
simplesmente “vontade de crer”, deixando de levar em conta a complexidade do
tema e a atuação misteriosa e imprescindível da soberania de Deus. No seu todo,
é uma obra que pode trazer benefícios inestimáveis tanto para cristãos quanto
para pessoas que buscam sinceramente a verdade sobre a fé cristã.
Fonte: Mackenzie
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
A Reforma da Igreja em Harmonia com as Escrituras
Por Johannes G. Vos
A reforma da igreja em harmonia com as Escrituras está
sempre incompleta na terra. Ecclesia reformata reformanda est (“a igreja, tendo
sido reformada, ainda precisa ser reformada”). Isto resulta do fato de que as
Escrituras são um padrão perfeito e absoluto, enquanto a igreja, em qualquer
ponto de sua história na terra, ainda é imperfeita, envolvida em pecado e erro.
Este processo de reforma tem de ser contínuo até ao fim do
mundo. Em nenhum ponto, a igreja pode parar e dizer: “Cheguei ao final. Até
aqui e não mais adiante”. Somente no céu a igreja triunfante poderá dizer isso.
No processo de reforma, existem certos estágios históricos e
certos marcos de progresso alcançado. Por exemplo, os importantes credos e
confissões históricas são tais marcos de progresso. A Confissão de Fé de
Westminster, por exemplo, marca o verdadeiro progresso da reforma da igreja até
ao tempo em que a confissão foi elaborada.
Nunca podemos considerar este processo como completo em
nossos próprios dias ou em qualquer ponto da História da Igreja na terra. Temos
sempre de esquecer as coisas que ficam para trás e avançar para as que estão no
futuro. Temos sempre de nos esforçar para conquistar aquilo para o que fomos
conquistados por Cristo. A doutrina da igreja, a adoração, o governo, a
disciplina, as atividades missionárias, as instituições educacionais, as
publicações e a vida prática — todas estas coisas têm de ser progressivamente
reformadas em harmonia com as Escrituras.
A reforma sempre tem sido uma realização progressiva e,
necessariamente, tem de ser assim. Os zelosos tentam empreender a reforma de
uma única vez, mas apenas batem a cabeça contra um muro de pedras. Deus age por
meio de um processo histórico — um processo contínuo e gradual. E temos de nos
conformar à maneira de agir dEle.
A reforma bíblica da igreja é o fruto de submissão ao
Espírito Santo falando nas Escrituras.
Não se exige somente o avanço no estudo das Escrituras, um
avanço que sobrepuja os marcos do passado, mas também uma auto-análise
perscrutadora por parte da igreja. Os padrões secundários da igreja têm sempre
de ser sujeitados à avaliação e reavaliação, à luz das Escrituras. Isto está
implícito em nossa confissão de que somente as Escrituras são infalíveis. Se
esta confissão é verdadeira, todas as outras coisas têm de ser constantemente
examinadas e reexaminadas pelas Escrituras.
Não somente os padrões oficiais da igreja, mas também a sua
vida, os seus programas, as suas atividades, as suas instituições e as suas
publicações têm de passar pela autocrítica perscrutadora com base nas
Escrituras. Estas coisas têm de ser testadas sempre à luz da Palavra de Deus.
Essa autocrítica, por parte da igreja, é o correlativo do auto-exame ao qual
Deus, em sua Palavra, exorta todo crente.
Essa autocrítica, por parte da igreja, é árdua. Exige
esforço, inteligência, aprendizado, sacrifício, muita humildade, auto-renúncia
e honestidade absoluta. Requer lealdade às Escrituras, uma lealdade que se
dispõe a fazer tudo o que for preciso para ser fiel à Palavra de Deus — uma
lealdade verdadeiramente heróica e radical para com as Escrituras.
Essa autocrítica, por parte da igreja, pode ser embaraçadora
e dolorosa. Pode significar que a igreja, assim como o Cristão, em O Peregrino,
escrito por John Bunyan, pode se achar na Campina do Caminho Errado e ter de
refazer seus passos, dolorosa e humildemente, até que esteja de volta ao Caminho
do Rei. Essa autocrítica, por parte da igreja, pode ser devastadora para os
interesses e projetos especiais de alguns crentes ou grupos da igreja. Pode
demonstrar que certas características dos padrões, da vida ou do programa da
igreja não estão em completa harmonia com a Palavra de Deus; e, portanto, devem
ser reconsiderados e colocados em harmonia com as Escrituras.
Por estas e outras razões similares, a autocrítica, por
parte da igreja, é freqüentemente negligenciada e, muitas vezes, resistida com
vigor. Aqueles que a defendem ou procuram vê-la realizada provavelmente serão
vistos como extremistas, fanáticos, entusiastas, visionários, criadores de
problemas e coisas semelhantes. No entanto, foi por meio dessa autocrítica que
as reformas do passado se realizaram. Homens como Lutero, Calvino, Knox,
Melville, Cameron e Renwick estavam preocupados apenas com a opinião de Deus em
sua Palavra. Eles não foram impedidos pelas opiniões e atitudes adversas dos
homens.
Quando a igreja ousou realmente contemplar-se no espelho da
Palavra de Deus, com sinceridade mortal, ela esteve em seu máximo e influenciou
o mundo. Ela seguiu adiante com novo ânimo e vigor. Por outro lado, quando a
igreja hesitou ou se recusou a contemplar-se atentamente no espelho da Palavra
de Deus, ela se tornou fraca, estagnada, decadente, ineficaz e sem influência.
A autocrítica denominacional constante, com base nas
Escrituras, é um dever de toda igreja. Mas isto é realmente levado a sério?
Quanto zelo, quanta preocupação — também digo, quanta tolerância — existe hoje
em relação à autocrítica?
Em toda igreja, existe uma tendência constante de considerar
o presente estado das coisas (o status quo) como normal e correto. Assim, o
que, na realidade, é um simples costume passa a ter a força e a influência de
um princípio, enquanto os verdadeiros princípios chegam a ser considerados como
se fossem meras convenções ou costumes humanos, possuindo apenas autoridade
resultante de uso e de aprovação popular. A sanção outorgada pelo uso é considerada
como suficiente para estabelecer um assunto como legal, correto ou necessário.
E, de modo inverso, a falta de uso é considerada como suficiente para provar
que um assunto é errado ou impróprio. Este tipo de estagnação, esta atitude de
considerar o status quo como normal, fecha a porta contra todo o verdadeiro
progresso na reforma da igreja, visto que o status quo é sempre pecaminoso.
Sempre fica aquém das exigências da Palavra de Deus. É sempre menor do que
aquilo que Deus realmente exige da igreja. Uma vez que o status quo é
pecaminoso, ele nunca pode ser considerado com complacência; e, menos ainda,
considerado como o ideal para a igreja. É um pecado tornar absoluto o status
quo.
Sempre precisamos nos arrepender do status quo. Não importa
o quão excelente ele seja, ainda é pecaminoso e precisamos nos arrepender dele.
Considerá-locom complacência é um dos maiores pecados da igreja contemporânea —
um pecado que entristece o Espírito Santo, um pecado que, com certeza, impede a
igreja de realizar seu verdadeiro e correto progresso de reformar-se em
harmonia com as Escrituras.
Uma igreja dominada por esta idéia não pode avançar
realmente. Na verdade, ela pode até cair em declínio e apostasia. No máximo,
ela se moverá em círculo fixo, sempre retornando ao ponto do qual havia
partido.
Deus nos chama a buscar a reforma da igreja em nossos dias.
As igrejas, em sua maioria, se moveram em um círculo fixo
através de sua história passada. Podemos dizer vigorosamente que elas têm se
movido em um ciclo vicioso. O padrão tem sido este: uma dormência seguida por
um avivamento, seguido por uma dormência... O verdadeiro progresso ainda não se
realizou. Parece que o melhor a ser feito é descobrir como sair de um abismo
após outro. Nada é mais prevalecente do que este tipo de estagnação na igreja.
Nada é mais difícil do que conseguir realmente avaliar e reformar qualquer
aspecto da estrutura e das atividades da igreja à luz da Palavra de Deus.
O verdadeiro progresso significa edificar sobre os alicerces
estabelecidos no passado; mas não significa ser dominado pelas mãos letais do
erro e das imperfeições do passado. Existe somente um critério legítimo para
avaliarmos o verdadeiro progresso; este critério é a própria Palavra de Deus. A
verdadeira reforma da igreja é uma reforma alicerçada nas Escrituras. É uma
reforma que ocorre dentro dos limites das Escrituras, não uma reforma que vai
além das Escrituras.
As instituições, as agências, as publicações da igreja
refletem opiniões diferentes, daquelas que ocorrem em nossos dias na igreja? Ou
elas têm de assumir sua posição junto aos padrões oficiais da igreja e manter
essa postura ao confrontar o público? Ou devem ser os pioneiros na autocrítica
denominacional com base nas Escrituras? Elas têm de abrir um novo caminho e
seguir para um novo território à luz da Palavra de Deus?
Estas são perguntas sérias e difíceis. A tendência é
deixá-las de lado e ignorá-las. Elas raramente são enfrentadas. A tendência é
considerarmos o status quo como normal. Ou, se não pensamos assim sobre o
status quo do presente, consideramos como normais, em algum grau, as
realizações do passado. Se pudéssemos tão-somente retornar às coisas como elas
eram nos “excelentes dias de outrora” e manter aquele padrão, dizem alguns,
tudo seria ótimo.
Seria ótimo realmente? O que aconteceu? Não estamos naquela
época. Como podemos nos desculpar por havermos falhado em ir além de nossos
antepassados no entendimento das Escrituras? Como podemos dizer que a reforma
da igreja foi completada em 1560, em 1638 ou, ainda, em 1950? O que temos
feito? Nosso talento foi escondido em um guardanapo?
Não é difícil admitir que na igreja existem alguns males que
precisam de correção. A tendência, porém, é dizermos que, se pudéssemos apenas
retornar aos fundamentos corretos de uma ou duas gerações passadas, tudo seria
como realmente deve ser. O que mais alguém perguntaria? Poderíamos manter
aquela posição por todo o tempo vindouro. Mas isso não seria cumprir os deveres
que Deus nos outorgou. Nossos antepassados reformaram a igreja em seu tempo;
Deus nos chama a reformá-la em nosso tempo. Não podemos descansar em nossos
lauréis. Temos de agir por nós mesmos, pela fé, alicerçados na Palavra de Deus.
A verdadeira reforma busca a verdade e a honra de Deus acima
de todas as outras considerações.
Vivemos em uma era pragmática, impaciente com a verdade,
bastante interessada em resultados práticos. É uma época de impaciência com
aqueles que consideram a verdade acima dos resultados. Nossa era quer
resultados e está bastante disposta a crer que figos nascem em cardos, se é que
pensa ver algum figo.
Quando alguém procura trazer alguma característica da igreja
ao julgamento crítico da Palavra de Deus, já ouvi a objeção de que o tempo não
é oportuno. “Você está certo”, alguns dizem, “mas este é o tempo oportuno para
você trazer este assunto à baila?” Devemos compreender que a verdade é sempre
oportuna e correta; e, se esperarmos um tempo oportuno para a trazermos à
baila, esse tempo pode nunca chegar. Essa época mais conveniente pode nunca
chegar. Sempre haverá uma razão para sermos instados a não realizarmos a
reforma da igreja em harmonia com as Escrituras. Deus é o Deus da verdade. Deus
é luz, e não há nEle treva nenhuma. Cristo é o Rei do reino da verdade. Para
isto Ele veio ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é
nascido da verdade ouve a voz de Cristo.
A excessiva prontidão de aceitar o status quo como normal é
um dos grandes obstáculos no caminho da verdadeira reforma e progresso da
igreja em nossos dias. Esta atitude é pecaminosa porque está cega para a
verdadeira pecaminosidade do status quo. Falha em reconhecer que o status quo é
algo do que sempre temos de nos arrepender, algo que sempre precisa ser
perdoado pela graça divina e sempre precisa ser reformado pela igreja, na
terra. Esta atitude falha em compreender a verdade da afirmação de Agostinho:
“Todo bem inferior envolve um elemento de pecado”.
No fundo, esta aceitação complacente do status quo como
normal procede de uma idéia errada a respeito de Deus, uma idéia que falha em
reconhecer a santidade e a pureza de Deus, que falha em compreender o absoluto
caráter das Escrituras como o padrão da igreja.
Colocar a honra e a verdade de Deus em primeiro lugar, acima
de quaisquer outras considerações, exige grande consagração moral. Neste
assunto, aquilo que é verdadeiro para um indivíduo também é verdadeiro para a
igreja: quem perder a sua vida por amor a Cristo, esse a achará.
Fonte: Editora
Fiel
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
A Necessidade do Novo Nascimento (sermão pregado por Martinho Lutero)
Sermão pregado pelo
Reformador Martinho Lutero, para o Domingo da Santíssima Trindade
de 11 de junho de 1536:
"Havia um homem dos fariseus que
se chamava Nicodemos, um principal entre os judeus. Este veio a Jesus de noite
e lhe disse: “Rabi, sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode
fazer estes sinais que tu fazes se Deus não estiver com ele. Respondeu-lhe
Jesus: “Em verdade, em verdade te digo se o homem não nascer de novo, não
poderá ver o reino de Deus”. Nicodemos lhe disse: “Como pode um homem nascer de
novo sendo velho? Pode por acaso entrar uma segunda vez no ventre de sua mãe e
nascer?”Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade te digo que aquele que não
nascer da água e do Espírito não poderá entrar no reino de Deus. O que é
nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é Espírito. Não te
maravilhes do que eu te disse: é necessário nascer de novo. O vento sopra onde
quer e se ouve o seu som; mas ninguém sabe de onde vem e nem para onde vai;
assim é todo aquele que é nascido do Espírito”. Perguntou-lhe Nicodemos: “ Como
pode acontecer isso?” Respondeu-lhe Jesus: “Tu és mestre de Israel e não
sabe disso? Em verdade, em verdade te digo que aquilo sabemos falamos, e aquilo
que temos visto testificamos, mas vós não recebeis o nosso testemunho. Se eu
vos tenho dito coisas terrenas e não acreditastes, como acreditareis se eu vos
falar das celestiais? Ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, o
Filho do Homem, que está no céu. E assim como Moisés levantou a serpente do
deserto, é necessário que o filho do homem seja levantado para que todo aquele
que Nele crer, não se perda, mas tenha vida eterna. Porque Deus amou o mundo de
tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que Nele crer não
se perda, mas tenha vida eterna”. João
3:1-16
COMO
ALCANÇAR A SALVAÇÃO, a pergunta principal da humanidade
Hoje
ainda não lhes foi explicado o Evangelho. Escreve o evangelista São João que
certo fariseu de nome Nicodemos veio ao Senhor de noite e teve com ele uma
conversa, e Cristo, de sua parte, lhe pregou um sermão para aquele homem
piedoso que realmente ele não sabia que fazer com ele: quanto mais o ouvia,
menos o entendia.
Sobre
essa historia se prega todo ano. Mas como hoje o momento novamente é propício,
falaremos mais uma vez sobre ela. Desde que o mundo existe, os sábios que
existem nele se perguntam: “De que modo se pode alcançar a justiça e a
bem-aventurança?” Essa questão se discute desde quando há homens na terra, e
continuará sendo discutida até que o mundo chegue a seu fim. Ainda nos nossos
dias atuais pode-se ver com quanto ardor debatemos esse assunto. Todos crêem estar
em condições de emitir um juízo, porém, com seu juízo, revelam sua ignorância.
Esta mesma questão, como nos informa o Evangelho para o dia de hoje, Cristo a
tratou com um homem que, falando nos términos da lei judaica, era uma pessoa
corretíssima e muito instruída.
Aquele
homem quer discutir sobre aquilo que devemos fazer e como devemos viver para
sermos salvos, e espera que Cristo lhe dê uma resposta. “Porque tu” ele diz,
“és mestre vindo de Deus, pois os sinais que tu fazes vão além da capacidade de
qualquer ser humano. Nós os fariseus ensinamos, no campo do espiritual, a lei
de Moisés. Opinas tu que há algo melhor que possa nos recomendar?” Surge assim
na discussão entre ambos a pergunta sobre as obras, ou seja, a vida perfeita –
a pergunta que inquieta aos homens de todas as gerações.
I. O que tenta alcançar a salvação pelos
caminhos das obras, não a alcançará
Já
os antigos romanos meditavam com muita seriedade sobre qual era o caminho reto
a seguir, acerca de como, por exemplo, se devia lidar corretamente com a casa e
a família. Seus interesses se dirigiam diante de toda a exata determinação do
que exige a “justiça”. Mas com isso se meteram em um problema que não tem
solução, como eles mesmos tiveram que admitir: “excesso de justiça, excesso de injustiça.”
Por qual motivo? Porque a “justiça” no sentido estrito da palavra está fora de
nosso alcance. Por isso que se tem que buscar o caminho do meio e adaptar-se às
circunstâncias. Nesse sentido também se costuma dizer: “acertou como os
atiradores quando acertam o alvo”, quer dizer, não graças a sua pontaria, senão
graças a um impacto fortuito. Pois um bom atirador e até um eventual ganhador é
também aquele que chegou mais próximo do alvo. Assim o reconhecem até os
juristas. Tem que se dar por satisfeitos se com seu governo e administração da
coisa pública conseguem que ninguém inflija a outro injustiças muito
grosseiras, ainda quando seja impossível acertar e aplicar rigidamente a
justiça em sua forma pura. Porém quando chega ao poder um desses desorientados,
só causa alvoroço, distúrbios e dissensões.
Assim
toda autoridade secular tem que se ater ao que é possível. Não obstante, a
razão gostaria de elevar a salvação ou a uma ordem política perfeita pela via
da injustiça. Porém tal coisa é impossível. Que fazer então? Quase se diria que
acontece como com aquele que queria subir uma alta montanha e por não poder
fazer, exclamou: “Pois bem, ficarei aqui”. No entanto, Cristo nos diz: “Se
vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no
reino dos céus” (Mateus 5:20). Ali no sermão do monte o Senhor explica qual o
verdadeiro cumprimento da lei, e o que significa acertar o alvo: não se irar,
nem mesmo no recôndito do coração; não cobiçar nem mesmo em pensamentos a
mulher ou os bens do nosso próximo. Ali se coloca diante dos nossos olhos a
justiça mais perfeita. E, apesar de tudo os homens acreditam poder alcançá-la
mediante o cumprimento da lei. “Não queremos nem pretendemos”, dizem, “acertar
exatamente o alvo”; se o conseguem com certa aproximação, se têm por
desculpados. Nós, porém, atentamos para o que nos ensina Cristo: “Ninguém pode
ver o reino de Deus ao menos que tenha acertado o alvo”. E no Apocalipse lemos:
“Neste tabernáculo não entrará nenhum imundo”. Que devemos fazer pois? Também
exclamaremos: “Temos que ficar aqui embaixo, não podemos subir a montanha”?
Tampouco
Nicodemos sabe outra coisa que esta: “Eu sou uma pessoa correta, vivo
piedosamente conforme a lei e transito pelo caminho que conduz ao céu”. E agora
ele quer que esse Mestre lhe expresse sua aprovação ou desaprovação – ainda que
não gostaria de pensar nesta última opção, senão espera que o Senhor lhe
responda: “Sim, Nicodemos, és perfeito, e ainda: Já és bem-aventurado e os
demais entrariam no reino dos céus se fizessem como tu”. Porém, ocorre
justamente o contrário: Cristo o bota a correr do reino dos céus: “Por certo,
és um homem bom. Porém se não nasces de novo, tua justiça não te servirá de
nada.” O “nascer de novo”: esta é a justiça na qual insistimos tanto em nossa
pregação. Ou seja: Cristo não tem a intenção de rechaçar a lei, antes quer que
ela seja cumprida. “Porém”, diz “a forma como vós a cumpríeis não tem
validade. Cumpríeis a lei só em vossa imaginação, mas não na realidade. Os Dez
Mandamentos são perfeitos, e quero que os cumpra. Quem quiser entrar no céu tem
que cumpri-los. Porém, com o vosso conceito do ‘direito’ e com a vossa justiça,
não os estais cumprindo”. Não temos outra justiça melhor do que a que
resultaria do meu cumprimento de tudo o que se manda nas duas tábuas da lei de
Moisés. Então seríamos “justos” – porém só justos conforme a justiça dos
fariseus, e não conforme a justiça exigida pela lei.
II. Só a regeneração nos torna participantes da
salvação eterna
É-nos
dito, pois: “lhe é necessário nascer pela segunda vez”. Para Nicodemos isso é
chocante. Ele pensa em outras leis, alem do ponto das leis mosaicas, tais como
as que achamos no papado e no judaísmo farisaico; espera que Cristo estabeleça
artigos novos, leis novas, todo um código novo. Porém, nada disso: Cristo não
diz uma palavra quanto a leis e estatutos novos. “Pois o que possuis em matéria
de leis já é mais do que podeis cumprir. Eu, em troca, os prego assim: Vós, vós
mesmos precisam chegar ser outras pessoas. Eu não falo de fazer ou não fazer,
senão de chegar a ser. Tu tens que chegar a ser outro homem, tens que nascer de
novo. Isso será então a justiça que acerta o alvo, a justiça sem mancha nem
ruga, a justiça que conseguirá entrar no céu”. Para Nicodemos, ao ouvir Jesus
falar dessa maneira, lhe vem certas duvidas. Essas são palavras novas para ele.
“Entrar eu pela segunda vez no ventre de minha mãe? Tolice!” Porém a essas
tolices Cristo acrescenta outras piores: “não te digo que tenhas de nascer de
novo de pai e mãe humanos, senão da água e do Espírito Santo”. Agora, Nicodemos
fica totalmente confundido. “Que homem e mulher são esses: água e Espírito?” E
como se ainda não fosse suficiente, Cristo lhe pergunta: “Tu és mestre de
Israel e não sabes disso?”, o que soa como zombaria manifesta. E sem dúvida,
Cristo tem que falar assim porque o assunto é totalmente novo para Nicodemos.
Para explicá-lo Cristo recorre a uma ilustração como se quisesse dizer a
Nicodemos: “queres que eu desenhe para que tu entendas? Digo-te porém: se não
podes captar com a razão, capta-a com a fé. Pois se não acreditaste quando te
falei coisas terrenas, como crerás se eu te falasse das coisas espirituais? Nós
falamos o que sabemos, e o que sabemos é a verdade e vós não acreditais Pois
bem: se alguém não quer crer, deixe-se!”
A
nossa pregação, iniciada naquelas condições por Cristo, se apoia exclusivamente
na fé. Só com a fé se pode compreender da “regeneração pela água e pelo
Espírito”. O Espírito é o homem e a água a mulher. O que isso implica, não o
podes medir com a tua razão. Daí o tema que pregamos seja artigo de boas obras
ou de fé. E já os papistas aprenderam algo de nós ao dizer que com a fé e a
graça começa a vida verdadeiramente cristã. Antes só se falava da missa privada
e da invocação dos santos; agora, em troca, dizem que a fé, efetivamente,
salva, porém não só a fé, senão a fé em cooperação com nossas obras. E essa
cooperação, apóiam, é imprescindível. E a nós criticam duramente afirmando que
proibimos as obras e induzimos os homens à preguiça. Todavia lhes falta
bastante para serem tão piedosos e estarem tão próximos da verdade como
Nicodemos. Nós nunca proibimos as boas obras; mais ainda: se dizemos algo a
respeito das boas obras, nossa própria gente fica logo com raiva, o qual é um
claro sinal de que realmente pregamos sobre esse tema.
E
apesar disso os papistas seguem blasfemando de nós. Eles ensinam: “as boas
obras têm quer vir com a ajuda da fé – vãs palavras que demonstram que esses
mestres não têm noção do que é fé, boas obras, nascer do Espírito, nascer de
Deus. É por isso que é necessário que estudemos com cuidado o nosso presente
texto (João 3:5) e outros iguais. Aqui se fala de “nascer de novo”, não de
“fazer algo novo”. Primeiro deves plantar uma arvore, e logo terás também os
frutos. Segundo seja boa ou mal a arvore, serão também bons ou maus os frutos.
O mesmo ocorre aqui. Nós chamamos um novo nascimento, quer dizer, uma nova
maneira de ser, uma nova pessoa, não somente um novo vestido ou novas obras.
Quando eu era monge, minha vestimenta era distinta e também minhas obras eram;
as sete horas para as orações, a missa, o crisma, o celibato – todas essas eram
outras obras, muito dessemelhantes de minhas obras anteriores. Porém a simples
mudança das obras não é o que vale; que mude a pessoa, que mudem os pensamentos
e o ânimo: esse é o novo nascimento. Portanto não se pode sobrepor as obras à
fé. Em que uma criança contribui para que seja concebida e venha à luz? Isso é
obra dos pais; a criança não faz nada para que suas perninhas e todos os seus
membros cresçam; não é parte ativa nesse processo de crescimento, senão
parte meramente passiva. Qual foi, nesse sentido, a nossa contribuição? Onde
estão as obras cooperantes? Queria saber então de onde vem essa insistência de
que se deve agregar também obras , e logo obras próprias nossas!
É
verdade: a mãe leva a criatura em suas entranhas e lhe dá o calor materno; no
entanto, não é obra dela que essa criatura se origine. De igual maneira quem
pregamos e batizamos somos nós, no entanto, a palavra e o batismo não são
nossos; somente pomos à disposição nossa boca e nossas mãos. Na realidade a
palavra e o batismo são de Deus, no entanto somos chamados colaboradores de
Deus (1 Coríntios 3:9). É, por certo, uma colaboração bastante modesta a nossa.
Não que contribuamos com obra ou a palavra; o único com que contribuo ao batizar
e pregar é com a voz, os dedos, a boca. Assim, na geração de uma criança, o pai
e a mãe só contribuem com a carne e o sangue como fatores seus; a criatura
concebida não contribui absolutamente em nada, senão que “se deixa criar” por
Deus todos os seus membros, e a mãe a leva em seu seio. Há alguma razão então
para que eu retire a honra de Deus e diga que eu mesmo me gerei e que minha
própria atuação contribuiu para que eu nascesse? Isso não significaria um
agravo a Deus? Por acaso não somos chamados seus filhos, obras de suas mãos? Se
é verdade que as obras colaboram na regeneração, vejo-me obrigado também a
achar que eu colaborei com Deus – e isso é uma blasfêmia contra Ele. Mas se é
verdade que eu sou nascido de novo, como diz Cristo, não tenho que colaborar
com nada, senão que tenho que permanecer quieto e passivo para aquele que é meu
Pai e Criador me faça nascer de novo como filho seu. Nesse sentido o apostolo
Paulo declara que “nós somos uma nova criação, criados em Cristo para boas
obras”. Como se vê, Paulo não se esquece das boas obras, mas as menciona não
por que tenham contribuído em algo, não por que sejam elas que produzem a nova
criação, mas “para que andássemos nelas”. Se é certo que minhas próprias obras
contribuem para que eu seja uma nova criação, bem posso me gloriar de ser meu
próprio Deus; porque o criar é obra exclusiva de Deus. Se eu colaboro, então
Deus não é meu único Deus, senão que eu também o sou. Por outro lado, se Ele é
o único, não o posso ser eu também, como se afirma muito claramente no Salmo:
“Ele nos fez e não nós a nós mesmos; somos seu povo e ovelhas de seu pasto”. E
não obstante, certa gente incorre em tremenda tolice de sustentar que a fé cria
homens novos, mas com a ajuda das obras. Mas precisa de toda lógica dizer que
eu me crio a mim mesmo e sou Deus junto com Deus, de modo que Ele me tem a seu
lado como um Deus adjunto. Assim como eu não me formei a mim mesmo no corpo de
minha mãe, senão que foi Deus quem me formou, valendo-se dos meus membros e do
calor de minha mãe, assim tampouco na regeneração somos convencidos mediante
nossas próprias forças e obras, senão unicamente pelas mãos e o Espírito de
Deus. Em consequência, é ilícito acrescentar obras à fé; do contrário, não é
Deus só o que me cria, senão que eu sou simultaneamente com ele meu próprio
criador. Ao fogo do inferno com um criador que se cria a si mesmo! A Escritura
me chama de uma nova criação de Deus e, não obstante, eu haveria de atribuir a
nova criação a mim mesmo? De esse modo eu seria criação e criador, obra e
obrador em uma mesma pessoa. A toda luz, esses são pensamentos diabólicos e
ensinos de homens cegos. Devemos observar estritamente ao que aqui nos ensina o
evangelista São João. Também Paulo nos chama “novas criaturas”. Da mesma
maneira, pois, como não contribuo para meu nascimento corporal e pela minha
concepção, senão que sou parte meramente passiva e ‘me faço’ gerar e criar, da
mesma maneira tampouco as obras contribuem em nada para que o homem seja
regenerado. Se não for assim, Deus já não será apenas Deus, senão que nós
seremos Deus junto com Ele e seremos nossos próprios progenitores. Mas quando a
criatura já está gerada, e quando a criancinha já está formada no seio materno
com todos seus membros, a mãe diz: “Sinto que o nenezinho faz as obras que em
seu estado pode fazer”. Porem, só o já criado dá esses sinais de sua
existência, e só quando foi dado à luz move seus membros, e fica com vida,
aprende a caminhar e a cantar. Mas se não tivesse sido criada previamente,
agora não se moveria.
III. O regenerado se manifesta como crente
mediante a prática de boas obras.
Nossa
pregação quanto à nova criação é, pois, uma vez que fomos regenerados, devemos
andar em boas obras. Nesse sentido fazemos algo: pregamos; aqueles, todavia,
que são convertidos não fazem nada para chegar a sê-lo, já que somos criação e
obra de Deus, “criados para que andássemos em boas obras” (Efésios 2:10). Essas
palavras nos falam com inteira claridade. A semelhança com uma criatura humana
é evidente. A criatura deve se separar do corpo materno; antes de estar
completamente formada, não contribui em nada para esse fato. Por que Deus a
beneficiou de membros? Para se mover; uma vez nascida deve caminhar, ficar de
pé, comer, beber, trabalhar, mandar, pois para isso nasceu. Se não fizesse
nada, seria um tronco ou uma pedra. Porém deve fazer algo, para isso foi
criada. A isso se refere Cristo quando disse ao fariseu Nicodemos: “Todos vós
quereis ser vossos próprios criadores. Possuíeis a lei de Moisés e esforçai-vos
para cumpri-la. Porem não obtereis êxito, uma vez que ainda não nascestes de
novo; não possuíeis o Espírito Santo. Por conseguinte todas as vossas obras são
obras do velho homem. Podeis, por exemplo, construir uma casa ou fabricar um
sapato, porém tais obras não têm nada haver com o céu. Não são obras que
conferem justiça a quem as faz. Também os gentios são capazes de fazê-las.
Ademais trazeis oferendas, circuncidais a vossos filhos, usais as vestiduras
sagradas – também isso está ao alcance de qualquer pagão. Por isso digo
que são obras do homem velho, nascido uma só vez, a saber, do seio de sua mãe.
Mas se quereis fazer obras que sejam de valor diante de Deus e que tragam
proveito ao próximo, precisais nascer de novo. Vós por sua vez acreditam que o
fazer obras que exteriormente parecem ser boas já está assegurada a vossa
entrada no céu, ainda mesmo o coração não se achando no estado devido. Porem
não façais as coisas ao contrário, não comeceis pelas obras!”
Também
os papistas são da opinião de que se pode merecer o céu com suas obras que
acompanham a graça. É um engano. As boas obras não podem ajudar de nenhuma
forma, nem como obras que precedem a graça, nem como obras que lhe correm
paralelas, nem tampouco como obras que seguem a graça, senão que tudo tem que
proceder do Espírito Santo e da água. “No lugar de pai e mãe vos darei água e o
Espírito Santo”, reza a pregação de Cristo. Onde isso é assim, posso dizer:
“minhas próprias obras não me criaram, nem me geraram como nova criação, nem
tampouco poderão fazê-lo, posto que fui criado e gerado da água e do Espírito”.
Também resulta agora fácil provar e julgar os espíritos fanáticos. Pois o que
nasceu, o que já foi feito e criado, não tem necessidade de ser feito e criado.
Como podem dizer então que as obras subsequentes à graça me geram e me criam?
Fazer boas obras é necessário; correto – porém não para chegar a ser por meio
delas uma nova criação. Portanto há de se diferenciar entre fé e obras; assim,
aqui o Senhor nos ensina. As obras feitas antes da fé são condenadas como
pecado. Em contrapartida, as obras feitas por quem já tem fé são obras
preciosas e boas. Todavia, tampouco essas servem para nos converter em homens
justos, senão para louvar e glorificar a nosso Pai que está nos céus (Mateus
5:16) e para causar alegria aos anjos. Pois quem por meio de boas obras e de
uma pregação frutífera honra ao Pai, receberá também dele a recompensa
correspondente. Se não andas em boas obras, tampouco nasceu ainda para elas
(Efésios 2:10).
Onde
se ensina e se vive dessa maneira, a verdade aqui ensinada por Cristo permanece
vigente em toda a pureza. Cristo diz que temos que nascer, Paulo reforça que
temos que ser criados por Deus. Falando em termos de comparação com uma criatura:
a criatura não se gera nem se faz nascer a si mesma, senão que depois de ser
criada pode fazer obras. Analogamente, a árvore frutífera depois de plantada dá
frutos. Não se diz: “Se não tiver peras na árvore, essa não é uma árvore”,
senão o inverso. Por isso cresce a pereira, para que dê peras, para glória e
louvor de Deus o Criador, e para que nós as comamos. Assim, a obra de Deus é a
que precede, e a nossa obra é a que segue. Igualmente: se não existisse
ferreiro, não existiria machado, pois para que machado corte, previamente
precisa ser fabricado. Só um perfeito idiota poderia dizer: “Faz-me um machado
que colabore na sua fabricação, de maneira que mediante seu despedaçar e cortar
se transforme em machado”. Primeiro se fabrica o machado, e só então se pode
empregá-lo nos trabalhos aos quais a ele se destinam.
Sobre
esse tema se discute de modo por demais obstinado desde os primórdios da
humanidade. E esse é o nosso ensino no qual insistimos com toda energia, afim
de que conserve o lugar correspondente na igreja e para evitar que penetrem
nela pessoas que atribuem um efeito também às obras precedentes ou
concomitantes. Primeiro deve estar a criação, o nascimento: logo pode seguir a
obra. Nicodemos não pode compreender isso porque ele vive na crença equivocada
de que obterá êxito para entrar no céu graças as suas obras precedentes. Cristo
se opõe a ele com um sonoro NÃO: “o que não nascer de novo, não pode ver o
reino de Deus”. Todos aqueles que ensinam algo que contrarie esse artigo são
falsos mestres. Nós, todavia, cremos e damos graças a Deus pelo fato de que ao
fim foi trago a luz e posto ao conhecimento de todos qual é o verdadeiro
caminho da vida: “Faz com que eu seja regenerado sem a colaboração de nenhuma
obra minha, mas apenas pela palavra e pela fé”. Se tal é o caso, sou filho de
Deus, tenho livre acesso a casa de meu Pai, e tudo quanto faço é bom e aceito
diante de seus olhos. Se meu pé escorrega, Ele me castiga. Se eu sou uma
arvore boa, levo frutos bons. Se a árvore é tomada por vermes nocivos, o Pai os
extermina. Se eu sou um bom machado, sirvo para cortar; se no machado se produz
uma falha, também esse mal poderá ser sanado pelo Pai. Por isso vós os fariseus
estais muito distantes do alvo com vossas obras precedentes; porque dessas resulta
não mais que uma justiça válida diante dos olhos do mundo e para ela vale o que
acabo de dizer quanto ao atirador. A justiça proveniente da fé acerta o alvo:
aponta ao centro mesmo e penetra até a vida eterna – não por nossos próprios
meios, senão em união com aquele que é o Mediador, do qual se fala na parte
final do evangelho (João 3:14 e similares). Fomos criados por Ele e somos
recriados por Ele; por meio Dele somos uma criação perfeita, apesar de ainda
não estarmos livres de faltas e debilidades.
Isso
se chama falar de forma cristã sobre a regeneração, da qual os papistas, os
turcos e os judeus não têm o menor conhecimento. Estou seguro, portanto, que no
Concílio[1] dos papistas rejeitarão esse artigo, já que a norma deles é julgar
a obra de Deus segundo eles mesmos a entendem. Cristo, porém, sustenta
invariavelmente: “O que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. É
preciso, pois, deixar de lado os pensamentos próprios, a sabedoria própria, as
opiniões próprias e ouvir somente a palavra por meio da qual é criado em ti um
coração novo sem a tua contribuição, como o novo ser no corpo da mãe. Este
texto soluciona a questão que se vem debatendo no mundo inteiro sobre como é
possível uma vida bem-aventurada e feliz. Não há outro meio que a justiça
efetuada pela regeneração não atinja o alvo.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Reforma Protestante
Por - Denis Monteiro
Estamos no mês da comemoração da Reforma Protestante e temos
que relembrar as obras feitas pelos reformadores e entre os mais conhecidos,
Lutero e Calvino.
Em por menores, os dois não só lutaram contra as heresias do
romanismo e dos libertinos, mas também apoiaram que a Igreja seja parceira do
Estado e que a Igreja interaja com a Escola, dando-lhes fundamentos bíblicos
doutrinários para que haja uma sociedade conhecedora de Deus e filhos em
escolas que aprendam sobre o Deus soberano. Como disse Calvino, Deus por
intermédio destes ensinos pode despertar o pecador eleito para o
arrependimento.
Mas ao passar dos anos a Igreja, se assim pode se chamar,
voltou as práticas romanistas mas com outro rotulo e se desprendendo do Estado
e das escolas, dizendo eles, que são uniões demoníacas e que não agradam a
Deus, Igreja é Igreja e Estado é Estado e cada um no seu quadrado (me desculpem
do termo usado).
Hoje, quase já não há mais, igrejas reformadas interessada
que todo o mundo siga a Palavra de Deus, mesmo não sendo salvos. Mas há hoje, e
muito, igrejas reclamantes que não têm temor de Deus e não leem a Santa Palavra
de Deus e que não percebem o agir soberano de Deus por intermédio de
governadores e reis. Acorda Igreja REFORMA acorda Igreja do Senhor!
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Será que estou escandalizando?
Por - Igor Campos
"Você não deve falar de certas coisas neste lugar,
vai causar escândalo!"
"Temos que deixar de fazer tudo que escandaliza os
irmãos!"
Há tempos tenho ouvido frases como essas. A última me foi
dita quase com furor há algumas semanas. É escândalo disto, escândalo daquilo.
Parece que o vocabulário de algumas pessoas é resumido nessa palavra.
Entretanto, muitos cristãos não tem conhecimento verdadeiro acerca do conceito
de escândalo. Preocupa-me quando usam-no para descrever qualquer comportamento
ou atitude que desagrade suas preferências pessoais ou em prol de um "bem
estar social". Para entender melhor, é necessário estabelecer o que de
fato é escândalo. E já cito de antemão duas postagens muito boas que auxiliaram
a construção deste texto: Escandalizar ou não escandalizar? Eis a questão! e Escândalo - pedra de tropeço no caminho.
Conceito
A palavra escândalo vem do grego skandalon, que
é usada para traduzir duas palavras do hebraico:
a) michsol, significa uma pedra de
tropeço. Assim está em Levítico 19:14: “Não porás tropeço diante do
cego.”
b) mokesh, que significa um laço ou
armadilha. Declara-se em Josué 23:13 que as alianças com as nações estrangeiras
são laços e redes.
A palavra escândalo, genericamente, é usada para substituir os termos "tropeço" e "cilada", embora ambas tenham um mesmo significado prático: uma ação deliberada para fazer com que alguém erre ou vacile.
Outros skandalon na Bíblia
Na explicação da parábola do joio em Mateus 13, nos versos 41 e 42 é dito: "Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade e os lançarão na fornalha acesa". Em Lucas 17:1-2 "Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vem! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos". Jesus deixa clara sua abominação pelo escândalo. Melhor é a morte que fazer com que outro tropece. No entanto, o próprio Cristo foi causador de escândalos. Novamente no evangelho de Mateus, no capítulo 15 lemos: "Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram? Ele, porém respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são cegos, guias de cegos.".
O skandalon em I Coríntios 8
"No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus. Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ganharemos, se comermos. E assim, por causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais." (I Coríntios 4;8;11-12)
A palavra escândalo, genericamente, é usada para substituir os termos "tropeço" e "cilada", embora ambas tenham um mesmo significado prático: uma ação deliberada para fazer com que alguém erre ou vacile.
Outros skandalon na Bíblia
Na explicação da parábola do joio em Mateus 13, nos versos 41 e 42 é dito: "Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade e os lançarão na fornalha acesa". Em Lucas 17:1-2 "Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vem! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos". Jesus deixa clara sua abominação pelo escândalo. Melhor é a morte que fazer com que outro tropece. No entanto, o próprio Cristo foi causador de escândalos. Novamente no evangelho de Mateus, no capítulo 15 lemos: "Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram? Ele, porém respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são cegos, guias de cegos.".
O skandalon em I Coríntios 8
"No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus. Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ganharemos, se comermos. E assim, por causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais." (I Coríntios 4;8;11-12)
Há uma questão a ser tratada aqui antes de prosseguirmos. Em
primeiro lugar, esse texto fala exclusivamente acerca de alimentos
sacrificados a ídolos. Comer carne num templo pagão era algo que hoje
equivaleria a comer num restaurante, mas com o agravante de que muitos
consideravam tais refeições como ato de idolatria. Embora não houvesse pecado
em comer num templo pagão, o pecado surgia se o ato fosse feito deliberadamente
como adoração pagã [1]. O cuidado aqui é com o cristão fraco, pelo qual Cristo
morreu. Esse cristão deveria ser instruído sobre essas práticas e onde está a
origem desse pecado. Não há no texto nenhuma orientação quanto aos ímpios. O
problema começa quando os cristãos atuais pregam a abstenção total de práticas
"erradas" de acordo com usos, costumes e tradições, para que não
exista a possibilidade de sermos confundidos com não-crentes.
Um exemplo para chegamos ao ponto de tensão: para a maioria dos crentes, não é possível beber uma cerveja com os amigos e amar a Deus verdadeiramente. A pior parte é que ao invés de tentarmos corrigir essa cultura errada, preferimos nos calar e simplesmente abrir mão de tudo que não agrada aos crentes para não escandalizar. Lastimável!
Concluímos dessa forma que há duas formas de escândalo. A primeira é o skandalon propriamente dito, quando temos a intenção de fazer com que alguém tropece com alguma atitude nossa. Esse acontece quando pessoas que já conhecem Cristo continuam com suas vidas vazias, sem nenhuma ética e seus valores totalmente corrompidos. Essas atitudes afetam diretamente aqueles que são novos na fé, que vacilam por imitar tais práticas pecaminosas.
A segunda forma é o oposto, o skandalon provocado pela ação transformadora de Deus em nossas vidas, que nos faz viver de acordo com bases éticas e morais totalmente contrárias às do mundo. Esse é o escândalo que Cristo causou: uma quebra de falsos paradigmas. A palavra da cruz é loucura para os que perecem (I Coríntios 1:18) e Cristo é escândalo para os judeus e loucura para os gentios (I Coríntios 1:23).
Devemos viver uma vida de santidade de acordo com os princípios de Deus, para que não escandalizemos os novos convertidos. Qual o verdadeiro e necessário compromisso com os neófitos? Instrução! Caminhemos juntos, estudemos e aprendamos juntos, para esses não cairem em pecado por nossa causa.
Um exemplo para chegamos ao ponto de tensão: para a maioria dos crentes, não é possível beber uma cerveja com os amigos e amar a Deus verdadeiramente. A pior parte é que ao invés de tentarmos corrigir essa cultura errada, preferimos nos calar e simplesmente abrir mão de tudo que não agrada aos crentes para não escandalizar. Lastimável!
Concluímos dessa forma que há duas formas de escândalo. A primeira é o skandalon propriamente dito, quando temos a intenção de fazer com que alguém tropece com alguma atitude nossa. Esse acontece quando pessoas que já conhecem Cristo continuam com suas vidas vazias, sem nenhuma ética e seus valores totalmente corrompidos. Essas atitudes afetam diretamente aqueles que são novos na fé, que vacilam por imitar tais práticas pecaminosas.
A segunda forma é o oposto, o skandalon provocado pela ação transformadora de Deus em nossas vidas, que nos faz viver de acordo com bases éticas e morais totalmente contrárias às do mundo. Esse é o escândalo que Cristo causou: uma quebra de falsos paradigmas. A palavra da cruz é loucura para os que perecem (I Coríntios 1:18) e Cristo é escândalo para os judeus e loucura para os gentios (I Coríntios 1:23).
Devemos viver uma vida de santidade de acordo com os princípios de Deus, para que não escandalizemos os novos convertidos. Qual o verdadeiro e necessário compromisso com os neófitos? Instrução! Caminhemos juntos, estudemos e aprendamos juntos, para esses não cairem em pecado por nossa causa.
Quanto aos ímpios, temos que escandalizá-los como Cristo o fez, com nossa moral e ética pautadas nas Santas Escrituras. Escandalizar também os novos fariseus combatendo o seu legalismo. Devemos nos preocupar é com os escândalos dos falsos pastores com suas teologias satânicas, os crentes na política que só envergonham o evangelho, e não com quem usa bermuda na igreja, pastor que prega sem usar terno, pessoas que usam piercings e tem tatuagens. Fazer isso não é nenhum ato de amor ou preocupação, mas um falso exercício de piedade contrário às Escrituras.
"Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz, como membros de um só corpo." Colossenses 3:15.
Referências:
[1] Bíblia de Estudo de Genebra
Fonte: Cosmovisão Calvinista
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